Busca  
  Artes   
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.  

O ciclo das chanchadas

As chanchadas da Atlântida

Depois dos filmes musicais carnavalescos, foi a vez das chanchadas – comédias populares, baseadas nas famosas peças do teatro de revista – ocuparem as telas do cinema nacional. A inauguração no Rio de Janeiro da Atlântida Cinematográfica, em 1941, marca o início do ciclo das chanchadas, que duraria mais de vinte anos. Fundada por Moacir Fenelon e José Carlos Burle, a Atlântida tinha como objetivo promover o desenvolvimento industrial do cinema brasileiro. A ideia era produzir filmes em grande escala, favorecendo a união do cinema artístico com o popular.

Nos dois primeiros anos após sua fundação, o estúdio produz cinejornais e documentários. O média-metragem Astros em desfile (1942), de José Carlos Burle, uma espécie de parada musical com artistas famosos da época, lança a fórmula com a qual a companhia cinematográfica faria sucesso nos anos 1940: a produção de histórias simples intercaladas de números musicais, com o único pretexto de ambientar o carnaval no filme.

Primeiro grande sucesso

Em 1943, com Moleque Tião, a Atlântida alcança seu primeiro grande êxito de bilheteria. Dirigido por José Carlos Burle e com Grande Otelo como protagonista, o filme é inspirado na biografia do ator. Hoje não existe uma cópia sequer da película, cujo enredo voltava-se às questões sociais, em vez de apenas divulgar números musicais.

De 1943 a 1947, a Atlântida consolida-se como a maior produtora do país, produzindo 12 filmes, entre os quais se destacam Gente honesta (1945), de Moacir Fenelon, com Oscarito no elenco; Não adianta chorar (1945), de Watson Macedo; Tristezas não pagam dívidas (1944) e Gol da vitória (1946), estes dois últimos dirigidos por José Carlos Burle.

Cena do filme Carnaval no fogo
Em 1947, a chanchada ganha sua forma definitiva com Este mundo é um pandeiro, de Watson Macedo, que combina os elementos básicos do gênero: paródia ao cinema hollywoodiano com crítica bem-humorada aos problemas sociais do país, tudo isso alinhavado por números musicais. Além desses ingredientes, os enredos eram enriquecidos com a tradição humorística de astros e estrelas vindos do teatro de revista e do rádio. O filme Carnaval no fogo (1949), de Watson Macedo, foi um dos grandes sucessos da época.



As estrelas da chanchada

Grande Otelo, Zezé Macedo, Dercy Gonçalves, Oscarito e Ankito

As comédias chanchadescas eram estreladas por atores como Oscarito, Dercy Gonçalves, José Lewgoy, Zezé Macedo, Zé Trindade, Renata Fronzi, Ankito, Violeta Ferraz e Grande Otelo, entre outros humoristas que tinham grande empatia com o público. A cada filme eram apresentados personagens cômicos interpretados por artistas com o gestual derivado do circo e do humor revisteiro, elementos familiares ao gosto popular. A dupla mais famosa dessa época era Oscarito e Grande Otelo, verdadeiros fenômenos de bilheteria do cinema brasileiro.

Década de 1950
 
Apesar de a Atlântida ter se consagrado na década anterior como uma das maiores produtoras do país, ainda assim seus filmes eram um tanto desleixados. A compra da empresa por Luiz Severiano Ribeiro Jr., em 1947, consolidaria o sucesso comercial das chanchadas no Brasil.
 
Como sócio majoritário da Atlântida e dono de uma cadeia de cinema, uma empresa de distribuição e um laboratório para processamento de filmes, Luiz Severiano promoveu a difusão das chanchadas da Atlântida no mercado interno por mais de uma década, lotando as salas e mantendo a produção constante.
 
A criação da Vera Cruz, em 1949, com o objetivo de elevar o nível técnico e estético da produção cinematográfica no país, leva a Atlântida a aprimorar suas produções. Nos anos 1950, os enredos das chanchadas evoluem e passam a narrar histórias com conteúdo de crítica social ao cotidiano urbano do Rio de Janeiro, então capital federal, no lugar das simples temáticas carnavalescas, rurais ou juninas.

Paródias, sátiras, pastiches...

As paródias a filmes e atores de Hollywood tornam-se mais frequentes na década de 1950. São desse período chanchadas bem elaboradas que se tornaram verdadeiras coqueluches, como Aviso aos navegantes (1951), de Watson Macedo, e Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle; além dos memoráveis
A dupla do barulho (1953); Matar ou correr (1954), paródia a Matar ou morrer (High noon, 1952, Fred Zinnemann); Nem Sansão, nem Dalila (1954), paródia a Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1949, Cecil B. de Mille); De vento em popa (1957) e O homem do Sputnik (1959), todos dirigidos por Carlos Manga.

Os filmes utilizavam a sátira, o deboche, a paródia, a ironia ou o pastiche, ou a mistura desses estilos, para criticar situações como o aumento do preço do leite, a falta de água, a deficiência do transporte coletivo, a política populista do governo federal, a poluição na Lagoa Rodrigo de Freitas e a construção de Brasília, entre outros fatos cotidianos do país.

Outras produtoras

Além da Atlântida, diversas produtoras realizavam chanchadas na década de 1950, tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, tamanha era a receptividade do público ao gênero cômico-popular. Entre as várias companhias, destacavam-se Brasil Vita Filmes, Watson Macedo Produções, Cinedistri e Herbert Richers. A própria Vera Cruz, que realizava melodramas nos moldes hollywoodianos, adotou o filão das chanchadas como estratégia comercial, produzindo três filmes com o comediante Amácio Mazzaropi: Sai da frente (1952); Nadando em dinheiro (1952) e Candinho (1953).

 


Anterior Início Próxima
Estamos adequando nosso conteúdo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Klicknet ©Copyright 2000-2006 Klicknet S.A. Todos os direitos reservados