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O sucesso no Brasil e no exterior

O cinema nacional nos anos 2000

Em 2001, o governo cria a Agência Nacional do Cinema (Ancine), para regular e fomentar a produção, a distribuição e a exibição de filmes no país. A partir de 2003, a Ancine passa a ser vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

Ainda sem nenhum Oscar em sua história, o cinema nacional vem colecionando prêmios bem mais significativos, menos voltados para a indústria cinematográfica e mais dirigidos ao valor artístico dos filmes. A representatividade da cinematografia nacional no exterior soma troféus de grandes festivais mundiais – como Cannes (França), Berlim (Alemanha) e Veneza (Itália) – e de competições desconhecidas pela maioria do público, como os festivais de Roterdã, na Holanda, e o de Montreal, no Canadá.

O país também tem tido cadeira cativa em festivais como o de Havana (Cuba), San Sebastián (Espanha) e Guadalajara (México), entre muitos outros espalhados pelo mundo. Essa participação indica um reaquecimento da indústria cinematográfica nacional, impulsionada principalmente pela Lei Rouanet (8.313/91), destinada, até 2009, a canalizar recursos para o desenvolvimento do setor cultural.

Em janeiro de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina o projeto de lei 6.722/10, que cria o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura) e revoga a Lei Rouanet. A proposta estabelece a formação de um fundo de fomento que deve distribuir bolsas e prêmios diretamente aos projetos culturais escolhidos, sem a necessidade de buscar patrocínio. Segundo analistas, as possibilidades de investimento por renúncia fiscal ficariam mais restritas.

O Procultura, viabilizado principalmente pelo Fundo Nacional da Cultura (FNC), já existente. A receita é por verbas do orçamento anual da União, doações e auxílios de entidades de qualquer natureza, inclusive internacionais, entre outras fontes.

Pelo menos 40% das verbas destinadas ao Ministério da Cultura (MinC) devem ser encaminhadas ao fundo. O FNC financia projetos culturais que tenham por base a democratização do acesso à cultura e o apoio à produção independente, entre outros critérios previamente aprovados pelo MinC.

Temáticas sociais

Para os especialistas em produção e mercado audiovisual, a melhoria na qualidade do cinema brasileiro – antes visto como pitoresco – é essencial para o seu reconhecimento no mercado externo. O que mais chama a atenção dos estrangeiros é a temática das realizações nacionais sobre problemas sociais, com destaque para a pobreza e a violência urbanas.

Essas características certamente levaram produções como Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles; Ônibus 174 (2002), de José Padilha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; O homem que copiava (2002), de Jorge Furtado; Cinema, aspirinas e urubus (2005), de Marcelo Gomes; e Tropa de elite (2007), de José Padilha, a colecionar títulos internacionais nas mais diversas categorias, como melhor roteiro, melhor direção de arte e melhor filme, entre outros prêmios.

Sucesso em território nacional

O interesse pela realidade não chama a atenção só dos estrangeiros. No Brasil, o ano 2006 é o marco do lançamento de documentários e longas-metragens embasados na realidade social, temática que representou 30% das estreias nacionais.

Os chamados filme-verismos (que buscam a legitimação na representação de um determinado aspecto da realidade) estão presentes no circuito brasileiro, com maior ou menor força, desde a década de 1940. Entre essas produções, os maiores sucesso de bilheteria foram Carandiru (4,7 milhões de espectadores); Cidade de Deus (3,4 milhões) e Tropa de elite (2,5 milhões).

Atualmente, o cinema nacional vive uma boa fase no circuito interno, com um fenômeno nunca antes visto no mercado exibidor: a produção em sequência de sucessos de bilheteria, a exemplo de Se eu fosse você 2 (2009), de Daniel Filho, que atraiu 6,1 milhões de espectadores às telas e bateu o recorde de exibição de um filme adulto brasileiro desde 1994, início da retomada do cinema nacional; Os normais 2 (2009; 2,2 milhões), de José Alvarenga; e Tropa de elite 2 (2010, mais de 11 milhões).  

Outras produções de apelo comercial, com ênfase no melodrama ou na comédia de costumes, também vem atraindo o grande público às salas do país. São filmes como 2 filhos de Francisco (2005: 5,3 milhões de espectadores), de Breno Silveira; Cazuza: o tempo não para (2004: 3,1 milhões), de Sandra Werneck e Walter Carvalho; e A mulher invisível (2009: 2,3 milhões), de Cláudio Torres.

Até o ano 2010, nenhuma obra tinha conseguido superar o recordista brasileiro: Dona Flor e seus dois maridos (1976), que atingiu a marca de mais de 10 milhões de espectadores. O feito de Dona Flor, filme de Bruno Barreto protagonizado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, aconteceu numa época em que havia muito mais salas de cinemas, mas por outro lado o país encontrava-se sob a censura do regime militar.

Em 2010, Lula, o filho do Brasil (2009), de Fábio Barreto, com um orçamento de R$ 12 milhões e exibido atualmente em 354 salas do país, é o filme mais caro da história do cinema nacional.

Para saber mais:

Nos livros

• Bela Época do cinema brasileiro, de Vicente de Paula Araújo. Ed. Perspectiva.

• Cinema Brasileiro: propostas para uma história
, de Jean-Claude Bernardet. Ed. Paz e Terra.

• Enciclopédia do cinema brasileiro
, de Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda. Ed. Senac.

• História visual do cinema brasileiro
, de José Carlos Monteiro. Funarte.

Nos sites

Agência Nacional do Cinema (Ancine)

Ministério da Cultura (MinC)

Secretaria do Audiovisual (Sav)











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