Golpes de Estado. Em 1951, Perón suprimiu a liberdade de expressão e, em 1954, entrou em conflito com a Igreja Católica. Um golpe de Estado o obrigou a renunciar no ano seguinte e a fugir para o exílio na Espanha. O general Eduardo Lonardi tornou-se presidente do governo provisório. Mas outro golpe de Estado colocou o general Pedro Aramburu no poder. A ditadura militar de Aramburu rechaçou o não-alinhamento na Guerra Fria e a Argentina passou a seguir a política externa dos EUA de impedir a disseminação do Comunismo na América Latina. A partir de 1958, a política econômica do novo presidente Arturo Frondizi produziu enorme concentração de renda e aumentou o índice de desemprego, o que desencadeou uma série de manifestações contra o governo. Em 1962 e 1966, as Forças Armadas realizaram mais dois golpes de Estado. O governo seguinte, do general Juan Carlos Onganía, representou o início de um novo ciclo autoritário e antiperonista. A política econômica adotada por Onganía provocou uma estagnação econômica profunda. Ocorreram greves e protestos de trabalhadores e de estudantes contra o governo. Em 1970, Onganía acabou deposto e o general Roberto Levingston assumiu a Presidência, sendo substituído no ano seguinte pelo general Alejandro Agustín Lanusse. Em 1973, o candidato da Frente Justicialista de Libertação, Héctor José Cámpora, elegeu-se presidente e autorizou Perón a retornar do exílio. Renunciou pouco depois e novas eleições foram convocadas. Perón foi eleito, e sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón (chamada Isabelita), tornou-se vice-presidente. Ditadura Militar. Perón morreu em 1974 e Isabelita assumiu a Presidência. Em 1976, uma junta militar, liderada pelo general Jorge Videla, realizou mais um golpe de Estado, depôs Isabelita, dissolveu o Congresso e assumiu o governo. A junta militar suspendeu todos os direitos individuais e constitucionais e deu início à chamada Guerra Suja – a eliminação dos opositores da ditadura por meio de prisão, sequestro e assassinato. A junta implementou uma política econômica que arruinou o parque industrial do país e aumentou drasticamente a dívida pública. Em 1981, o general Roberto Viola assumiu o comando da junta militar. Pouco depois, foi substituído pelo general Leopoldo Galtieri. Guerra das Malvinas. Em 1982, a junta militar enviou tropas às ilhas Falkland/Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, dando início à invasão dos arquipélagos. A investida foi uma tentativa de despertar o nacionalismo do povo. A reação do Reino Unido foi imediata. Após 45 dias de combates, a Argentina se rendeu. Diante da derrota, Galtieri renunciou e a junta militar convocou eleições gerais para 1983. Governo Alfonsín. Raúl Alfonsín (UCR) foi eleito presidente. Assim que tomou posse, teve de enfrentar a hiperinflação. Implementou uma série de cortes no orçamento para diminuir o déficit fiscal. Em 1985, lançou o Plano Austral, cujas principais medidas foram o congelamento de preços e salários e a substituição da moeda nacional, o peso, pelo austral, cuja cotação era atrelada ao dólar norte-americano. Alfonsín ordenou a abertura de processos contra os militares responsáveis pelas violações dos direitos humanos durante a Guerra Suja e pela invasão que resultou na Guerra das Malvinas. O governo de Alfonsín também fez progressos na política externa, ao assinar, por exemplo, um acordo com o Chile para encerrar a disputa pelas ilhas Lennox, Nueva e Piction, no Canal de Beagle. O julgamento de oficiais gerou enorme tensão nas Forças Armadas. Em 1987, unidades isoladas do Exército – os caras-pintadas – rebelaram-se, exigindo o fim dos julgamentos e a anistia dos militares condenados pela Justiça. Alfonsín mandou para o Congresso dois projetos de lei determinando que os militares de baixa patente não poderiam ser responsabilizados criminalmente e limitando o número de processos abertos pelo Ministério Público. Nesse ínterim, aumentou o desemprego e o país entrou em recessão. Em 1988, eclodiram duas novas rebeliões militares. Era Menem. Nas eleições de 1989, venceu o candidato à Presidência do Partido Justicialista (PJ), Carlos Menem. Ao tomar posse, Menem começou a implementar um programa neoliberal de ajuste econômico. Seu governo concedeu dois indultos presidenciais aos militares responsáveis pela Guerra Suja, o que provocou protestos das organizações de defesa dos direitos humanos. A Argentina passou a adotar uma política externa submissa aos EUA e chegou a enviar uma fragata da Marinha para participar da coalizão internacional contra o Iraque na Guerra do Golfo, em 1991. No mesmo ano, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, acordo de livre comércio entre os quatro países. O governo argentino implementou um novo plano econômico, substituiu o austral pelo peso e adotou a equiparação da moeda ao dólar norte-americano. Inicialmente, o Plano de Conversibilidade, do ministro Domingo Cavallo, provocou profunda recessão, mas houve uma queda brutal nos índices de inflação. Por causa do crescimento econômico, o presidente conseguiu reeleger-se em 1995, mas os problemas da Argentina não se resolveram. As crises asiática (1997), russa (1998) e brasileira (1999) afetaram a economia argentina. As medidas adotadas pelo governo foram cortes no orçamento e redução de salário dos funcionários públicos. |