Busca  
| Home |
FARRAPOS, GUERRA DOS
Proclamação da República dos Farrapos, em obra do artista carioca Antônio Parreiras.

Também conhecida como Revolução Farroupilha, foi uma das mais importantes revoltas contra o governo central do Brasil. De 1835 a 1845, as províncias de São Pedro do Rio Grande do Sul (atual Rio Grande do Sul) e de Santa Catarina lutaram por maior autonomia. Ameaçando a unidade nacional, chegaram a proclamar duas repúblicas independentes: a República Piratini, no Rio Grande do sul, e a República Juliana, em Santa Catarina. Comandadas por Caxias a partir de novembro de 1842, as forças legalistas enviadas pelo Rio de Janeiro derrotaram os revoltosos farroupilhas e reintegraram as duas províncias ao Império em 1845, já no reinado de Dom Pedro II.

Casa de Gomes Jardim, em obra de Celegari, local no qual Bento Gonçalves morreu.

Conflitos de Interesses. Durante o Período Regencial (1831-1840), as decisões do governo central eram inspiradas pelos interesses dos grandes proprietários de terras do Sudeste (Rio de Janeiro, sul de Minas, norte e leste de São Paulo), o que descontentava os produtores sulistas. O governo favorecia a importação de produtos da Argentina e do Uruguai (charque e couro) e aumentava constantemente os impostos sobre a produção gaúcha.

Além disso, no plano político, o governo nacional era fortemente centralista. As medidas mais importantes e a nomeação de presidentes provinciais eram decididas pelos líderes regenciais no Rio de Janeiro. Descontentes com a falta de autonomia e os prejuízos econômicos, os sulistas passaram a defender o federalismo. Esses liberais ficaram conhecidos no sul como farroupilhas. Seu grupo era integrado por grandes proprietários, cujo líder era o deputado provincial e coronel da milícia Bento Gonçalves da Silva. O jornalista italiano Tito Livio Zambeccari, que vivia exilado no Brasil, foi o mentor intelectual da revolução, defendendo ideias liberais na imprensa gaúcha.

Eclosão da Revolta. Em 1834, o presidente da província do Rio Grande, Antônio Rodrigues Fernandes Braga, seguindo instruções da Regência, determinou novos impostos sobre os campos de pasto e criou um corpo militar subordinado ao governo provincial. Os farroupilhas, liderados por Bento Gonçalves, depuseram o governo provincial em setembro de 1835. A revolta ganhou adesões por toda a província e assumiu o controle de pontos estratégicos da região, tomando diversas cidades.

Com a nomeação do gaúcho José de Araújo Ribeiro como presidente da província, o governo central do regente Porto Alegre foi retomado em 15 de junho de 1836. Os farroupilhas foram derrotados na Batalha de Fanfa, em 2 de outubro do mesmo ano. Bento Gonçalves e Zambeccari foram presos. Porto Alegre permaneceu sob controle do governo central até o final da revolução, mas o interior da província ficou nas mãos dos farroupilhas. Assim, um mês depois da derrota de Fanfa e da prisão de seu chefe, os farroupilhas proclamaram a República Piratini.

Bento Gonçalves, líder da Guerra dos Farrapos.

A República Piratini ou Rio-Grandense foi proclamada pelo general farroupilha Antônio de Sousa Neto em novembro de 1836, em Piratini. Bento Gonçalves foi aclamado presidente, embora estivesse preso no Forte do Mar, na Bahia. A troca de governo em Porto Alegre fortaleceu os rebeldes, que conseguiram novas vitórias. Bento Gonçalves fugiu da prisão em 1837, assumindo o comando da luta armada e a Presidência dessa República até a derrota do movimento em 1845.

República Juliana. A luta farroupilha se estendeu para Santa Catarina. Em julho de 1839, o general Davi Canabarro proclamou, em Laguna, a República Juliana, que durou pouco tempo. Ele contou com auxílio do revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que mais tarde se tornaria herói nacional em seu país, na luta pela unidade italiana. Nessa época, Garibaldi estava refugiado no Brasil. Sua mulher, Anita Garibaldi, tornou-se a heroína dos rebeldes.

Caxias e a Pacificação. A partir de novembro de 1842, a campanha legalista esteve sob comando de Luís Alves de Lima e Silva, então barão de Caxias, nomeado presidente da província. Acuados pelas forças imperiais, os farroupilhas firmaram, em Quaraim, um pacto de ajuda militar com José Frutuoso Rivera, general-chefe do Exército uruguaio. Com isso, obtiveram algumas vitórias em 1843, logo neutralizadas pelos triunfos de Caxias no ano seguinte. E os farroupilhas decidiram negociar o armistício. Um conselho de guerra farroupilha convocado por Davi Canabarro, em 28 de fevereiro de 1845, aceitou as propostas de Caxias: anistia completa; reconhecimento dos postos militares dos chefes farroupilhas e, caso estes quisessem, sua integração ao Exército imperial; e redução dos pesados impostos sobre os produtos da pecuária sulista. A paz foi assinada em 1º de março de 1845.

Klicknet ©Copyright 2000-2006 Klicknet S.A. Todos os direitos reservados