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| Casa de Gomes Jardim, em obra de Celegari, local no qual Bento Gonçalves morreu. |
Conflitos de Interesses. Durante o Período Regencial (1831-1840), as decisões do governo central eram inspiradas pelos interesses dos grandes proprietários de terras do Sudeste (Rio de Janeiro, sul de Minas, norte e leste de São Paulo), o que descontentava os produtores sulistas. O governo favorecia a importação de produtos da Argentina e do Uruguai (charque e couro) e aumentava constantemente os impostos sobre a produção gaúcha. Além disso, no plano político, o governo nacional era fortemente centralista. As medidas mais importantes e a nomeação de presidentes provinciais eram decididas pelos líderes regenciais no Rio de Janeiro. Descontentes com a falta de autonomia e os prejuízos econômicos, os sulistas passaram a defender o federalismo. Esses liberais ficaram conhecidos no sul como farroupilhas. Seu grupo era integrado por grandes proprietários, cujo líder era o deputado provincial e coronel da milícia Bento Gonçalves da Silva. O jornalista italiano Tito Livio Zambeccari, que vivia exilado no Brasil, foi o mentor intelectual da revolução, defendendo ideias liberais na imprensa gaúcha. Eclosão da Revolta. Em 1834, o presidente da província do Rio Grande, Antônio Rodrigues Fernandes Braga, seguindo instruções da Regência, determinou novos impostos sobre os campos de pasto e criou um corpo militar subordinado ao governo provincial. Os farroupilhas, liderados por Bento Gonçalves, depuseram o governo provincial em setembro de 1835. A revolta ganhou adesões por toda a província e assumiu o controle de pontos estratégicos da região, tomando diversas cidades. Com a nomeação do gaúcho José de Araújo Ribeiro como presidente da província, o governo central do regente Porto Alegre foi retomado em 15 de junho de 1836. Os farroupilhas foram derrotados na Batalha de Fanfa, em 2 de outubro do mesmo ano. Bento Gonçalves e Zambeccari foram presos. Porto Alegre permaneceu sob controle do governo central até o final da revolução, mas o interior da província ficou nas mãos dos farroupilhas. Assim, um mês depois da derrota de Fanfa e da prisão de seu chefe, os farroupilhas proclamaram a República Piratini.
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