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19533 itens:


• CESGRANRIO/2002/História
Os Estados Unidos se expandiram para o oeste também às custas do México, a quem pertenciam os territórios assinalados no mapa acima. Após perder a guerra em 1848, pelo Tratado de Guadalupe-Hidalgo, o México cedeu aos EUA, entre outros, o território:


• UFRS/2002/História
Desde os anos 90, a Argentina vive uma situação de crescente instabilidade econômica. Entre os fatores que explicam a crise deste país, pode-se citar


• UFRS/2002/História
Os documentos a seguir referem-se ao processo histórico que culminou, em 11 de setembro de 1973, na derrubada do governo constitucional de Salvador Allende no Chile.

"Não vejo por que razão haveríamos de ficar parados assistindo um país tornar-se comunista devido à irresponsabilidade de seu próprio povo."
(Henry Kissinger, 1970. In: CHOMSKY, N. e HERMAN, E. "Banhos de Sangue." São Paulo: DIFEL, 1976, p. 148.)

"Após a vitória eleitoral de Allende, o presidente Nixon disse ao diretor da CIA, Richard Helms, para 'fazer a economia gritar', (...) decisão implementada (...) por um corte de ajuda econômica do país."
(SCHOULTZ, L. "Estados Unidos: poder e submissão." Bauru, SP: EDUSC, 2000, p. 398.)

"(...) a CIA foi autorizada (...) para criar grupos de oposição a Allende no Chile. Durante o governo de Allende, US$ 8 milhões foram gastos financiando órgãos de comunicação, partidos políticos e (...) organizações do setor privado."
(Informe Church. ARCHIVOS SECRETOS. "Documentos Desclasificados de Ia CIA." Santiago de Chile: LOM, 1999, p. 195.)

Considerando os documentos acima e o contexto histórico específico, aponte a opção correta sobre o papel dos EUA diante do governo da Unidade Popular.


• UFRS/2002/História
No ano de 1962, os EUA e a URSS estiveram à beira de um confronto militar que ameaçou o planeta com uma guerra nuclear. Sobre esta crise, é INCORRETO afirmar que ela


• PUC CAMPINAS/2002/História
Distribuição das crianças empregadas, segundo a idade
Uma indústria de metal em Connecticut, Estados Unidos,
Agosto de 1934(Leo Huberman. "História da riqueza do homem". Trad. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. p. 128.)

A tabela revela informações sobre a exploração do trabalho infantil nos Estados Unidos da América, em 1934. O tema suscita reflexões sobre a utilização da criança no processo de produção. Sobre essa temática é correto afirmar que


• PUC CAMPINAS/2002/História
Considere a foto a seguir.
(Luiz Koshiba e Denise M. F. Pereira. "Américas: uma introdução histórica". São Paulo: Atual, 1992. p. 271)

A foto é um exemplo da popularidade do governo que exerceu a influência mais duradoura na Argentina contemporânea: Juan Domingo Perón e sua esposa Evita. Essa popularidade, de Perón e Evita


• UNIRIO/2003/Português
Canção e calendário

Sol de montanha
Sol esquivo de montanha
Felicidade
Teu nome é
Maria Antonieta d'Alkmin

No fundo do poço
No cimo do monte
No poço sem fundo
Na ponte quebrada
No rego da fonte
Na ponta da lança
No monte profundo
Nevada
Entre os crimes contra mim
Maria Antonieta d'Alkmin

Felicidade forjada nas trevas
Entre os crimes contra mim
Sol de montanha
Maria Antonieta d'Alkmin

Não quero mais as moreninhas de Macedo
Não quero mais as namoradas
Do senhor poeta
Alberto d'Oliveira
Quero você
Não quero mais
Crucificadas em meus cabelos
Quero você

Não quero mais
A inglesa Elena
Não quero mais
A irmã da Nena
Não quero mais
A bela Elena
Anabela
Ana Bolena
Quero você

Toma conta do céu
Toma conta da terra
Toma conta do mar
Toma conta de mim
Maria Antonieta d'Alkmin

E se ele vier
Defenderei
E se ela vier
Defenderei
E se eles vierem
Defenderei
E se elas vierem todas
Numa guirlanda de flechas
Defenderei
Defenderei
Defenderei

Cais de minha vida
Partida sete vezes
Cais de minha vida quebrada
Nas prisões
Suada nas ruas
Modelada
Na aurora indecisa dos hospitais

Bonançosa bonança.

(Oswald de Andrade. "Cântico dos Cânticos para flauta e violão".)

A figura de sintaxe que predomina no poema, para marcar o ritmo veloz e a atitude lúdica peculiar aos modernistas da primeira fase, é:


• FGV/2002/História
Em 12 de abril de 2002, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi deposto por um golpe civil e militar. Alguns dias depois, uma reviravolta política permitiu que Chávez fosse reempossado em suas funções. Apesar das negativas oficiais de que o governo norte-americano tivesse participação no levante, o jornal "The New York Times" estampou: "Representantes do governo Bush se encontraram várias vezes nos últimos meses com os líderes da coalizão que derrubou Hugo Chávez e concordaram com eles que Chávez deveria ser removido do poder".
A respeito da história da América Latina e da participação norte-americana, é CORRETO afirmar:


• UFSM/2002/História
Entre os fatores responsáveis pela ascensão dos regimes militares na América Latina, podem-se citar:

I. a Guerra Fria.
II. o colapso do pacto populista.
III. a Revolução Mexicana e seu caráter socialista.
IV. a aproximação da América Latina com os países não-alinhados.

Estão corretas.


• UNIRIO/2003/Português
Declaração

Devia começar, como o sabe de cor e salteado a maioria dos leitores, que é sem dúvida nenhuma muito entendida na matéria, por uma declaração em forma.
Mas em amor, assim como em tudo, a primeira saída é o mais difícil. Todas as vezes que esta ideia vinha à cabeça do pobre rapaz, passava-lhe uma nuvem escura por diante dos olhos e banhava-se-lhe o corpo em suor. Muitas semanas levou a compor, a estudar o que havia de dizer a Luizinha quando aparecesse o momento decisivo. Achava com facilidade milhares de ideias brilhantes: porém, mal tinha assentado em que diria isto ou aquilo, já isto ou aquilo lhe não parecia bom. Por várias vezes, tivera ocasião favorável para desempenhar a sua tarefa, pois estivera a sós com Luizinha; porém, nessas ocasiões, nada havia que pudesse vencer um tremor nas pernas que se apoderava dele, e que não lhe permitia levantar-se do lugar onde estava, e um engasgo que lhe sobrevinha, e que o impedia de articular uma só palavra. Enfim, depois de muitas lutas consigo mesmo para vencer o acanhamento, tomou um dia a resolução de acabar com o medo, dizer-lhe a primeira coisa que lhe viesse à boca.
Luizinha estava no vão de uma janela a espiar para a rua pela rótula: Leonardo aproximou-se tremendo, pé ante pé, parou e ficou imóvel como uma estátua atrás dela que, entretida para fora, de nada tinha dado fé. Esteve assim por longo tempo calculando se devia falar em pé ou se devia ajoelhar-se. Depois fez um movimento como se quisesse tocar no ombro de Luizinha, mas retirou depressa a mão. Pareceu-lhe que por aí não ia bem; quis antes puxar-lhe pelo vestido, e ia já levantando a mão quando também se arrependeu. Durante todos esses movimentos o pobre rapaz suava a não poder mais. Enfim, um incidente veio tirá-lo da dificuldade.
Ouvindo passos no corredor, entendeu que alguém se aproximava, e tomado de terror por se ver apanhado naquela posição, deu repentinamente dois passos para trás, e soltou um - ah! - muito engasgado. Luizinha, voltando-se, deu com ele diante de si, e recuando espremeu-se de costas contra a rótula: veio-lhe também outro - ah! - porém não lhe passou da garganta e conseguiu apenas fazer uma careta.
A bulha dos passos cessou sem que ninguém chegasse à sala; os dois levaram algum tempo naquela mesma posição, até que Leonardo, por um supremo esforço, rompeu o silêncio, e com voz trêmula e em tom o mais sem graça que se possa imaginar perguntou desenxabidamente:

- A senhora... sabe... uma coisa?
E riu-se com uma risada forçada, pálida e tola.
Luizinha não respondeu. Ele repetiu no mesmo tom:
- Então... a senhora... sabe ou... não sabe?
E tornou a rir-se do mesmo modo. Luizinha conservou-se muda.
- A senhora bem sabe... é porque não quer dizer...
Nada de resposta.
- Se a senhora não ficasse zangada... eu dizia...
Silêncio.
- Está bom... Eu digo sempre... mas a senhora fica ou não fica zangada?
Luizinha fez um gesto de quem estava impacientada.
- Pois então eu digo... a senhora não sabe... eu... eu lhe quero... muito bem...

Luizinha fez-se cor de uma cereja; e fazendo meia volta à direita, foi dando as costas ao Leonardo e caminhando pelo corredor. Era tempo, pois alguém se aproximava.
Leonardo viu-a ir-se, um pouco estupefato pela resposta que ela lhe dera, porém, não de todo descontente: seu olhar de amante percebera que o que se acabava de passar não tinha sido totalmente desagradável a Luizinha.
Quando ela desapareceu, soltou o rapaz um suspiro de desabafo e assentou-se, pois se achava tão fatigado como se tivesse acabado de lutar braço a braço com um gigante.
(Manuel Antônio de Almeida. "Memórias de um Sargento de Milícias".)

A metáfora existente no último parágrafo é antecipada ao longo do texto. Essa metáfora está, inicialmente, indicada no seguinte trecho:


• UFSM/2002/História
Leia o texto a seguir.

Tornava-se claro que toda a tecnologia em desenvolvimento na corrida pela conquista do espaço não seria só utilizada para viagens espaciais, ou em proveito da humanidade. Atrás do cenário da "odisseia do espaço", ocultavam-se fins bélicos. [...] os foguetes desenvolvidos poderiam servir tanto para transportar cargas pacíficas (satélites) como armas atômicas. O progresso da humanidade trazia consigo o princípio do fim. Um incidente internacional, ocorrido em 1962, é exemplar para demonstrar a permanente tensão vivida pelo mundo.
(MILDER,Saul. "A conquista da lua". SãoPaulo: FTD, 1997.)

Assinale a alternativa que apresenta o incidente a que o texto se refere.


• UFSM/2002/História
Em 1943, presidente argentino Ramón Castilho foi derrubado por militares, dentre os quais se encontrava o Coronel Juan Perón. Posteriormente, ao assumir o poder, Perón tornou-se um modelo político ao adotar o


• UFSM/2002/História
Considerando as políticas imperialistas norte - americanas, numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª.

1. Big-Stick
2. Aliança para o Progresso

( ) constitui-se num programa de auxílio econômico para a América Latina.
( ) foram intervenções militares para defender os interesses norte-americanos na América Central.
( ) apoiou-se na ideologia do Destino manifesto e na Doutrina Monroe.
( ) foi uma proposta do governo Kennedy para evitar a expansão do comunismo na América.
( ) estimulou as reformas de alcance social.

A sequência correta é


• UFRS/2001/História
O pedido de extradição do general chileno Augusto Pinochet, feito pelo Poder Judiciário Espanhol ao governo britânico em 1999, por crimes contra a humanidade, revelou a existência de uma articulação dos serviços secretos do continente sul-americano conhecida como "Operação Condor".
Esta teria sido responsável

I - pela criação de um clima político favorável à implantação da redemocratização;
II - pela articulação e coordenação dos partidos políticos favoráveis aos governos ditatoriais baseados na doutrina de segurança nacional;
III - pela repressão e eliminação dos opositores às ditaduras e por atentados.

Quais dos itens estão corretos?


• PUC SP/2003/Português
Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;
Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;
Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.

Ainda no mesmo texto, o uso repetitivo da expressão VERDES MARES e os verbos SERENAI e ALISAI, indicadores de ação do agente natural, imprimem ao trecho um tom poético apoiado em duas figuras de linguagem:


• UNIRIO/2002/História
"Nas massas temos os que pensam e os que sustentam a união que provém dessa mística comum a todos, que há de abranger tanto ao que pensa, pela persuasão, como ao que sente, pelo coração".
(Pronunciamento de Juan D. Perón aos delegados no Congresso Geral Constituinte do Partido Peronista, 01/12/1947, in: "Doutrina Peronista". Buenos Aires, s. ed., 1952, p. 13.).

No contexto do Estado Populista na América Latina identificamos, na Argentina, o fenômeno do peronismo, cujas características político-ideológicas se relacionam corretamente com:


• PUC SP/2003/Português
Pedro cumprira sua missão me devolvendo ao seio da família; foi um longo percurso marcado por um duro recolhimento, os dois permanecemos trancados durante toda a viagem que realizamos juntos, e na qual, feito menino, me deixei conduzir por ele o tempo inteiro; era já noite quando chegamos, a fazenda dormia num silêncio recluso, a casa estava de luto, as luzes apagadas, salvo a clareira pálida no pátio dos fundos que se devia à expansão da luz da copa, pois a família se encontrava ainda em volta da mesa; entramos pela varanda da frente, e assim que meu irmão abriu a porta, o ruído de um garfo repousando no prato, seguido, embora abafado, de um murmúrio intenso, precedeu a expectativa angustiante que se instalou na casa inteira; me separei de Pedro ali mesmo na sala, entrando para o meu antigo quarto, enquanto ele, fazendo vibrar a cristaleira sob os passos, afundava no corredor em direção à copa, onde a família o aguardava; largado na beira de minha velha cama, a bagagem jogada entre meus pés, fui envolvido pelos cheiros caseiros que eu respirava, me despertando imagens torpes, mutiladas, me fazendo cair logo em confusos pensamentos; na sucessão de tantas ideias, me passava também pela cabeça o esforço de Pedro para esconder de todos a sua dor, disfarçada quem sabe pelo cansaço da viagem; ele não poderia deixar transparecer, ao anunciar a minha volta, que era um possuído que retornava com ele a casa; ele precisaria dissimular muito para não estragar a alegria e o júbilo nos olhos de meu pai, que dali a pouco haveria de proclamar para os que o cercavam que "aquele que tinha se perdido tornou ao lar, aquele pelo qual chorávamos nos foi devolvido".
(NASSAR, Raduan. "Lavoura Arcaica". São Paulo: Companhia das Letras, 1989).

"... a fazenda dormia num silêncio recluso, a casa estava de luto...". A figura de linguagem empregada pelo autor neste trecho é:


• UFC/2002/História
Leia as afirmativas a seguir, a respeito da década de setenta do século XX.

I. Os EUA saíram vitoriosos na guerra do Vietnã.
II. O escândalo de "Watergate" provocou a renúncia do presidente dos EUA, Richard Nixon.
III. A derrubada do governo de Salvador Allende, no Chile, contou com o apoio do governo norte-americano.

Da leitura das afirmativas acima, é correto afirmar que:


• UFMG/2002/História
Considerando-se a atuação da Frente Sandinista de Libertação Nacional nos anos 70 do século XX, é CORRETO afirmar que essa organização


• FGV/2001/História
Leia as afirmações a seguir, sobre o passado recente do México, e assinale a alternativa CORRETA.

I. A vitória de Vicente Fox, com aproximadamente 43% dos votos, rompeu com os 71 anos de hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
II. Vicente Fox, dirigente da Frente Zapatista de Libertação Nacional, conquistou a vitória eleitoral a partir da plataforma política de inclusão das populações indígenas e demais minorias à vida institucional mexicana;
III. A vitória de Zedillo, com aproximadamente 43% dos votos, rompeu com os 71 anos de hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
IV. A prisão de Raul Salinas, irmão do ex-presidente Carlos Salinas, iniciou, ao final dos anos 90, uma crise de legitimidade do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
V. Independentemente da vitória de Fox, a Frente Zapatista de Libertação Nacional continua sendo o braço armado do Partido Revolucionário Institucional (PRI).


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questão seguintes baseiam-se em fragmentos de três autores portugueses.

Auto da Lusitânia
(Gil Vicente - 1465?-1536?)
Estão em cena os personagens "Todo o Mundo" (um rico mercador) e "Ninguém" (um homem vestido como pobre). Além deles, participam da cena dois diabos, Berzebu e Dinato, que escutam os diálogos dos primeiros, comentando-os, e anotando-os.

Ninguém para Todo o Mundo: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deus mande que tope co ela já.
Berzebu para Dinato: Outra adição nos acude:
Escreve aí, a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca virtude.
Ninguém para Todo o Mundo: Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse.
Ninguém: E eu quem me repreendesse em cada cousa que errasse.
Berzebu para Dinato: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Berzebu: Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado, e Ninguém ser repreendido.
Ninguém para Todo o Mundo: Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida e quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.
Berzebu para Dinato: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Berzebu: Muito garrida: Todo o Mundo busca a vida, e Ninguém conhece a morte.
(Antologia do Teatro de Gil Vicente)


Os Maias
(Eça de Queirós - 1845-1900)

- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim...
- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dentro, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de se ser insensato ou sem sabor...
- Resumo: não vale a pena viver...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega.
Riram ambos. Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades.
Ega, em suma, concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de vida, era da inutilidade de todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na Terra - porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do Eclesiastes, em desilusão e poeira.
(Eça de Queirós, "Os Maias")


Ode Triunfal
Álvaro de Campos
(heterônimo de Fernando Pessoa - 1888-1935)

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes elétricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
(Fernando Pessoa, "Obra Poética")

No fragmento do "Auto da Lusitânia", o autor utiliza um recurso estilístico que consiste no emprego de vocábulos antônimos, estabelecendo contrastes, como "vida/morte",
"louvado/repreendido", e outros. No fragmento de "Ode triunfal", ocorre um outro recurso de estilo que consiste na invocação de seres reais ou imaginários, animados ou inanimados, vivos ou mortos, presentes ou ausentes, como "ó rodas", "ó grandes ruídos modernos" e outros. Esses recursos estilísticos são conhecidos, respectivamente, como


• PUCRS/2001/História
Responder à questão sobre a década de 1940 no Brasil, com base nos trechos da música "Brasil Pandeiro", composta em 1940 por Assis Valente, um dos maiores compositores de samba desse período.

"Chegou a hora dessa
gente bronzeada
mostrar seu valor!
Eu fui à Penha
E pedi à padroeira
Pra me ajudar
Salve o morro do Vintém
Pindura-Saia
eu quero ver (...)
O Tio Sam tocar pandeiro
Para o mundo sambar
O Tio Sam está querendo
conhecer a nossa batucada
anda dizendo
que o molho da baiana
melhorou seu prato
Vai entrar no cuzcuz
acarajé e abará
Na Casa Branca
já dançou a batucada
com Ioiô e Iaiá
Brasil esquentai
vossos pandeiros
lluminai os terreiros
Que nós queremos sambar!!!

Segundo a letra da música, é correto afirmar que este samba


• PUCRS/2001/História
Durante os anos 80, a América Latina sofre os efeitos da grave crise econômica, na conjuntura conhecida como "a década perdida". Nessa conjuntura, as políticas econômica e social, geralmente praticadas pelos maiores países da região, caracterizaram-se


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questão seguintes baseiam-se em fragmentos de três autores portugueses.

Auto da Lusitânia
(Gil Vicente - 1465?-1536?)
Estão em cena os personagens "Todo o Mundo" (um rico mercador) e "Ninguém" (um homem vestido como pobre). Além deles, participam da cena dois diabos, Berzebu e Dinato, que escutam os diálogos dos primeiros, comentando-os, e anotando-os.

Ninguém para Todo o Mundo: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deus mande que tope co ela já.
Berzebu para Dinato: Outra adição nos acude:
Escreve aí, a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca virtude.
Ninguém para Todo o Mundo: Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse.
Ninguém: E eu quem me repreendesse em cada cousa que errasse.
Berzebu para Dinato: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Berzebu: Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado, e Ninguém ser repreendido.
Ninguém para Todo o Mundo: Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida e quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.
Berzebu para Dinato: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Berzebu: Muito garrida: Todo o Mundo busca a vida, e Ninguém conhece a morte.
(Antologia do Teatro de Gil Vicente)


Os Maias
(Eça de Queirós - 1845-1900)

- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim...
- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dentro, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de se ser insensato ou sem sabor...
- Resumo: não vale a pena viver...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega.
Riram ambos. Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades.
Ega, em suma, concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de vida, era da inutilidade de todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na Terra - porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do Eclesiastes, em desilusão e poeira.
(Eça de Queirós, "Os Maias")


Ode Triunfal
Álvaro de Campos
(heterônimo de Fernando Pessoa - 1888-1935)

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes elétricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
(Fernando Pessoa, "Obra Poética")

A "ironia", ou uma expressão irônica, consiste em, intencionalmente, dizer o contrário do que as palavras significam, no sentido literal, denotativo. Lendo-se o fragmento de Gil Vicente, percebe-se que o autor ironiza a sociedade:


• PUC MG/2000/História
Na América Latina contemporânea, a passagem dos militares pelo poder, na Argentina, no Brasil e no Chile, resultou em, EXCETO:


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questões seguintes são relacionadas a uma passagem bíblica e a um trecho da canção "Cálice", realizada em 1973, por Chico Buarque (1944 -) e Gilberto Gil (1942 -).

TEXTO BÍBLICO
Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita! (Lucas, 22)
(in: Bíblia de Jerusalém. 7 impressão. São Paulo: Paulus, 1995)

TRECHO DE CANÇÃO
Pai, afasta de mim esse cálice!
Pai, afasta de mim esse cálice!
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue.

Como beber dessa bebida amarga,
Tragar a dor, engolir a labuta,
Mesmo calada a boca, resta o peito,
Silêncio na cidade não se escuta.
De que me vale ser filho da santa,
Melhor seria ser filho da outra,
Outra realidade menos morta,
Tanta mentira, tanta força bruta.

(in: www.uol.com.br/chicobuarque/)

Gilberto Gil declarou, numa entrevista, que escreveu a primeira estrofe de "Cálice" inspirado na contemplação de uma procissão de Sexta-feira Santa, em Salvador. Levou-a
a Chico Buarque, pois deveriam compor uma canção em parceria. Naquela época, os artistas brasileiros viviam sob fortes restrições à liberdade de expressão, impostas pelo Regime Militar. Chico leu a estrofe, ponderou, pensou e,
em dado momento, pronunciou em voz alta: "Cálice... Cale-se!". Assim, com o "cale-se" em mente, viu-se estimulado a dar continuidade à letra da canção, e, em linguagem figurada, escreveu a segunda estrofe. Leia-a com atenção, e aponte em qual verso, com a expressão correspondente, o poeta demarcou o referido estímulo.


• PUC MG/2000/História
A Revolução Mexicana de 1910, que teve em Pancho Villa e Emiliano Zapata duas das suas mais expressivas lideranças, sob o aspecto social, caracterizou-se pela:


• PUC MG/2000/História
O movimento revolucionário que produziu, pela primeira vez na história latino-americana, a quebra da unidade do capitalismo no continente foi:


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questões seguintes baseiam-se
em duas tirinhas de quadrinhos, de Maurício de Sousa (1935 -), e na "Canção do exílio", de Gonçalves Dias (1823-1864).

Canção do Exílio
(...)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Antônio Gonçalves Dias, "Primeiros Cantos")

Entre as figuras de sintaxe, como recursos que um autor emprega para obter maior expressividade, existe a "zeugma". Uma das formas de "elipse", a "zeugma" consiste na supressão de um vocábulo, já enunciado em frase anterior, por estar subentendido. No poema de Gonçalves Dias, a "zeugma" ocorre apenas em:


• FGV/2000/História
Operação Condor foi o nome dado ao plano integrado de repressão aos opositores das ditaduras militares-civis implantadas na América Latina durante os anos 60 e 70. Este operativo transnacional, dos serviços de inteligência e das polícias políticas, foi responsável por muitas prisões ilegais, torturas, sequestros e desaparecimentos de cidadãos de diferentes países deste continente. Participaram ativamente da Operação Condor os seguintes países:


• UFC/2002/Português
Texto:
1 "O armênio começou a falar.
2 (...)
3 "Estudar o mundo e os homens, observando-os pela enfezada lente do pessimismo é tão perigoso e falaz, como estudá-los, observando-os pelo imprudente prisma do otimismo.
4 "O velho misantropo, o homem ressentido e ¥odiento que por terem sido vítimas de enganos, de ingratidões e de traições, caluniam a humanidade, na turbação do espírito doente, vendo em todos e em tudo o mal, prejudicam não só a própria, mas a felicidade de quantos se deixam levar por essa prevenção sinistra que envenena e enegrece a vida.
5 "E no seu erro encontram eles duro castigo; porque em seus corações e em seu viver mergulham-se no dilúvio de lodo escuro e infecto do mal que vêem ou adivinham em todos e em tudo; e no furor de enxergar maldades, de condenar e aborrecer os maus, tornam-se por si mesmos, ¤proscritos da sociedade, selvagens que fogem da convivência humana.
6 "Eis aí o que te ensinei na visão do mal.
7 "Dando-te a primeira luneta mágica, eu fui o que sou - Lição; observando pela visão do mal, tu foste o que és - Exemplo.
8 "O mancebo generoso e inexperiente, a jovem donzela criada entre sedas, sorrisos e flores, educada santamente com as máximas de benevolência, com o mandamento do amor do próximo, e ainda mesmo aqueles velhos que nunca deixaram de ser meninos, vêem sempre a terra como céu cor-de-rosa, têm repugnância em acreditar no vício, deixam-se iludir pelas aparências, enternecer por lágrimas fingidas, arrebatar por exaltados protestos, £embair por histórias preparadas, e dominar pela impostura ardilosa, e vêem por isso em todos e em tudo o bem - na prática do vício imerecido infortúnio, - no perseguido sempre um inocente, - no mal que se faz, indignidade, na trapaça e até no crime sempre um motivo que é atenuação ou desculpa.
9 "E também esses têm no erro da sua inexperiência a sua cruel punição; porque cada dia e a cada passo tropeçam em um desengano, ¢caem nas redes da fraude e da traição, comprometem o seu futuro, e muitas vezes colhem por fruto único da inocente e cega credulidade a desgraça de toda sua vida.
10 "Eis aí o que te ensinei na visão do bem.
11 "Dando-te a segunda luneta mágica eu fui o que sou - Lição; observando pela visão do bem, tu foste o que és - Exemplo.
12 "Escuta ainda, mancebo.
13 "Na visão do mal como na visão do bem houve fundo de verdade; porque em todo homem há bem e há mal, há boas e más qualidades, e nem pode ser de outro modo, porque em sua imperfeição a natureza humana é essencialmente assim.
14 "Mas a primeira das tuas lunetas mágicas não te mostrou senão o mal, e a segunda te mostrou somente o bem, e para mais viva demonstração da falsidade e das funestas consequências de ambas as doutrinas, ou prevenções, as tuas duas lunetas exageraram.
15 "Ora exagerar é mentir.
16 "Mancebo, a verdadeira sabedoria ensina e manda julgar os homens, aceitar os homens, aproveitar os homens, como os homens são.
17 "A imperfeição e a contingência da humanidade são as únicas ideias que podem fundamentar um juízo certo sobre todos os homens.
18 "Fora dessa regra não se pode formar sobre dois homens o mesmo juízo.
19 (...)
20 "Mancebo! para te levar à verdade já te lancei duas vezes no caminho do erro.
21 "Erraste acreditando no mal, erraste acreditando no bem, que te mostraram tuas duas lunetas, que exageraram o mal e o bem, ostentando cada uma o exclusivismo falaz do seu encantamento especial.
22 "Erraste pelo exclusivismo; porque o exclusivismo é o absurdo do absoluto no homem.
23 "Erraste pela exageração; porque exagerar é mentir."
MACEDO, Joaquim Manoel de. "A luneta mágica". São Paulo: Ática, 2001.

No texto da prova:

I - As ideias se desenvolvem numa relação em que predomina a antítese.
II - Em "prevenção sinistra que envenena e enegrece a vida" (par. 4), o sentido é metafórico.
III - Há hipérbole em "mergulham-se no dilúvio de lodo escuro e infecto do mal" (par. 5)

Sobre as assertivas é correto afirmar que:


• UEL/2000/História
Leia o texto de José Romero sobre o poder das oligarquias na América Latina.

"As oligarquias fecharam o caminho pelo qual tendiam a incorporar-se à vida pública as classes médias em ascensão e, em alguns países, as classes populares. Geralmente utilizaram mecanismos eleitorais para evitar que as dissidências se expressassem, estabelecendo limites legais - por exemplo, para os analfabetos, ou fraudando nos comícios. Ademais, negaram obstinadamente a possibilidade de levar aos cargos públicos quem não pertencesse ao círculo oligárquico e criaram clientelas eleitorais e administrativas que respaldavam o sistema fechado e facilitavam seu funcionamento. Naturalmente quem exercia a presidência da República não podia sair senão desses círculos."
(José Romero. In: Jaime, Pinsky (org.). "História da América Latina através dos textos". São Paulo: Contexto, 1994. p. 116.)

De acordo com o autor do texto, as oligarquias da América Latina


• UEL/2001/Português
Do riso ao trote

Andamos cansados de assassinatos em escolas, aqui e nos Estados Unidos, de guerras estúpidas e de trotes violentos que, de vez em quando, terminam tragicamente. Mas acho que deveríamos ser menos cínicos, e começar a considerar normais essas coisas, a não ser que decidamos ir fundo e pôr em questão também outras formas de relacionamento humano que tendemos a considerar não problemáticas.

Para começar, considere o caro leitor as piadas. Podem ser piadas relativas aos portugueses ou às loiras, mas as relativas aos homossexuais ou aos negros são exemplos mais evidentes. Freud acha que, quando fazemos uma piada, estamos de alguma maneira substituindo uma agressão física por uma agressão verbal, mesmo que a piada obrigue essa agressão a ser indireta. Se seguirmos Freud, admitiremos que o desejo de destruição do outro - de qualquer um que seja diferente - só não é posto em prática por repressão, dito de outra maneira, como efeito de civilização, que é em grande parte um conjunto de tecnologias para controlar pulsões, instintos. A distância entre uma guerra e uma piada racista é grande, certamente, mas ambas pertencem à mesma linhagem: são uma forma de agredir o outro, de expressar a certeza de que o outro não é como nós.

Jogar calouros que não sabem nadar numa piscina, durante um trote - ou convidados em festas caseiras - é, para muitos, apenas uma diversão. Pode ser verdade que não haja nenhuma intenção - consciente - de provocar a morte de alguém. Mas fica uma pergunta incômoda: por que divertir-se jogando os outros na água?

Mudo de cena, sem trocar de tema. Nos domingos à tarde, num dos programas mais assistidos da televisão brasileira, um ponto alto são as "vídeo-cassetadas": em geral são cenas domésticas nas quais ocorre pequeno acidente inesperado. A sagrada família brasileira se diverte, o povo mais pacífico do mundo chora de tanto rir. Ri de alguém que se arrebenta, que corre risco de ferimentos, que sofre humilhações diante de plateias que se tornaram multidões por via da televisão. Um espetáculo de puro - pequeno? - sadismo.

Depois alguém dá um tiro em alguém por nada (por dá cá aquela palha, dir-se-ia) e todos nos horrorizamos, não entendemos de onde vem tanta violência. Ora, vem de dentro de nós, de todos nós. Se não cuidamos disso todos os dias, se não cultivamos a leveza e a delicadeza, só nos divertiremos com muito álcool, algum pó e alguém jogado na água. E se ele morrer, diremos que só estávamos nos divertindo um pouco. Não sabemos mais nada. Nem a semântica de "só".

(Adaptado de: POSSENTI, Sírio. " Mal comportadas línguas". Curitiba: Criar Edições, 2000. p.117-9.)

Um dos recursos expressivos usados por Possenti é a ironia. Observe os trechos a seguir.

I - "A sagrada família brasileira se diverte, o povo mais pacífico do mundo chora de tanto rir."
II - "A distância entre uma guerra e uma piada racista é grande, certamente, mas ambas pertencem à mesma linhagem: são uma forma de agredir o outro, de expressar a certeza de que o outro não é como nós."
III - "Nos domingos à tarde, num dos programas mais assistidos da televisão brasileira, um ponto alto são as 'vídeo-cassetadas': em geral são cenas domésticas nas quais ocorre pequeno acidente inesperado."

O autor usa a ironia nas afirmativas.


• UEL/2001/Português
"Durante todo o século XX, a cultura brasileira oscilou entre a busca de uma identidade nacional e o desejo de integração cosmopolita na ponta do mundo contemporâneo. Essa busca de identidade não foi só um esforço de poetas e artistas, mas também de pensadores que centram nossa originalidade na ideia de um brasileirismo afetivo e gentil, retrato construído por nós mesmos e vendido 'lá fora' com muito sucesso, até recentemente. Essa ideia de afetividade é recorrente em quase todos os nossos melhores intelectuais do período, do luso-tropicalismo de Gilberto Freyre ao homem cordial de Sérgio Buarque de Hollanda, do macunaimismo de Mário de Andrade à civilização gozosa de Darcy Ribeiro, do populismo carinhoso de Jorge Amado aos malandros e heróis de Roberto da Matta. Talvez devamos levantar a hipótese de que, embora essa afetividade nunca tenha se manifestado verdadeiramente em nossa história social, pode ser que ela seja o mais belo, profundo e secreto projeto inconsciente do povo desse país, sempre inviabilizado pelo Brasil dos infernos, mas detectado e textualizado por mestres mediúnicos. O mistério do galo não está na ilusão de que ele seja capaz de fazer nascer o sol, mas em que seu canto anuncia a existência do sol, mesmo ainda por nascer."
(Carlos Diegues. Reflexões para o futuro. "Veja 25 anos", 1993. p.55.)

Na última frase do texto, o autor usa as metáforas do galo e do nascer do sol para representar, respectivamente:


• MACKENZIE/2001/História
A ditadura militar chefiada por Pinochet foi um dos regimes políticos mais brutais da história da América Latina. Os militares caçavam os opositores políticos como se fossem animais. Qualquer suspeito de ser militante socialista ou comunista era preso e barbaramente torturado.
Mario Schmidt

Dentre as razões para a implantação da Ditadura de Augusto Pinochet podemos indicar:


• PUCRS/2001/Português
Leia o texto que segue.

OS ARROIOS

Os arroios são rios guris...
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d'água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas,
E às vezes tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
[...]
refletem, em vez de estrelas, os letreiros das firmas
[que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
Os inocentes arroios...

No texto, __________ pungente, como é característico do poeta Mario Quintana, realiza-se, principalmente, através de uma linguagem marcada __________, o que, no entanto, não inviabiliza a utilização do recurso estilístico da __________ da natureza.


• MACKENZIE/2001/História
(...) ajudei a transformar o México (...) num lugar seguro para os interesses petrolíferos. Arrebentei em Cuba e no Haiti para fazer deles um lugar decente para que a rapaziada do National CityBank pudesse recolher seus lucros. Botei a Nicarágua nas mãos do pessoal do banco dos irmãos Brown. (...) Limpei a área na República Dominicana, abrindo espaço para o pessoal das empresas de açúcar. Liberei geral Honduras para a rapaziada das companhias exportadoras de frutas. Na China, fiz uma limpeza para que ninguém atrapalhasse o movimento da Standard Oil.
Adaptação por Mario Schmidt de
Huberman, Leo & Sweezy, Paul

Os fatos acima, que demonstram o uso de forças militares norte-americanas invadindo países para garantir interesses das grandes empresas, foram comuns na fase do desenvolvimento do sistema capitalista. Essa fase denominou-se:


• UFRN/2000/Português
Nem mãe nem pai acharam logo a maravilha, repentina. Mas Tiantônia. Parece que foi de manhã. Nhinhinha, só sentada olhando o nada diante das pessoas: - 'Eu queria o sapo vir aqui'. Se bem a ouviram, pensaram fosse um patranhar, o de seus disparates, de sempre. Tiantônia, por vezo, acenou-lhe com o dedo. Mas, aí, reto, aos pulinhos, o ser entrava na sala, para aos pés de Nhinhinha, - e não o sapo de papo, mas bela rã brejeira, vinda do verduroso, a rã verdíssima. Visita dessas jamais acontecera. E ela riu: - 'Está trabalhando um feitiço..." Os outros se pasmaram; silenciaram demais.
(fragmento: "A menina de lá", Guimarães Rosa)

A união entre prosa e poesia, um dos traços característicos da narrativa de Guimarães Rosa, ocorre, no texto, através de aliterações.
Assinale a opção em que esse recurso estilístico aparece.


• PUC RIO/2000/História
Leia as afirmações abaixo referentes à caracterização de diferentes industrializações latino americanas ocorridas em fins do século XIX.

I - A industrialização argentina foi marcada por uma expressiva imigração europeia. Os setores têxtil e de alimentos foram os primeiros a serem transformados, contando com significativos investimentos estrangeiros - sobretudo ingleses. As atividades relacionadas ao transporte ferroviário e marítimo (portos e navios frigoríficos), bem como aos serviços de infraestrutura urbana em geral foram privilegiadas por favorecerem a exportação de carnes e couros;
II - A industrialização mexicana foi intensificada durante o longo governo de Porfírio Díaz. Além dos setores têxtil e de alimentos, desenvolveram-se a metalurgia e a produção de petróleo, esta última tendo-se tornado motivo de acirrada disputa entre os capitais ingleses e norte-americanos no país. Na composição da mão de obra, os nacionais predominaram sobre a imigração europeia, que foi de muito pouca expressão;
III - A industrialização cubana atingiu os setores da mineração, açúcar e tabaco. Companhias norte-americanas e espanholas disputaram a construção de ferrovias na ilha para o escoamento destas e de outras produções para a exportação. Em que pese o grande número de libertos existentes, os imigrantes - em especial os coolies chineses - tornaram-se a mão de obra mais utilizada nessas atividades;
IV - A industrialização chilena dos últimos decênios apresentou poucos imigrantes na composição de sua mão de obra. O crescimento econômico fez-se sentir de forma marcante no setor de mineração - com a exploração do nitrato e do cobre - onde a hegemonia britânica foi rapidamente contestada pelos mais fortes investidores norte-americanos e alemães que para lá se deslocaram à época.

Assinale a alternativa:


• UFAL/2000/Português
Língua para inglês ver

A incorporação da língua inglesa aos idiomas nativos dos mais diversos países não é novidade. Traduz, no âmbito da linguagem, uma hegemonia que os Estados Unidos consolidaram desde a década de 50. Com a globalização e o encurtamento das distâncias entre as nações obtido pelo avanço dos meios de comunicação, a contaminação das demais línguas pelo inglês ficou ainda mais patente.
O fenômeno não é em si mesmo nocivo. Pode até enriquecer um idioma ao permitir que se incorporem informações vindas de fora que ainda não têm correspondência local. A Internet é um exemplo nesse sentido.
Outra coisa, porém, bem diferente, é o uso gratuito de palavras em inglês como o que se verifica hoje no Brasil. A não ser pela vocação novidadeira - e caipira - de quem se deslumbra diante de qualquer coisa que o aproxima do "estrangeiro", não há nenhuma razão para que se diga "sale" no lugar de liquidação, ou qualquer motivo para falar "off" em vez de desconto. Tais anomalias são um dos sintomas do subdesenvolvimento e exprimem, no seu ridículo involuntário, a mentalidade de quem confunde modernidade com uma temporada em Miami.
Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma ortográfica para "germanizar" expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente.
Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade. No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra "entrega" em vez de "delivery".
(FOLHA DE S. PAULO - 20/10/97)

A antonomásia, figura de linguagem presente em "Não é preciso agir como O PERSONAGEM DE LIMA BARRETO", está presente também em:


• UFLAVRAS/2000/História
"Na história recente da América Latina (décadas de 80 e 90), a figura dos "caras-pintadas" surgiu no contexto político de dois países em particular, com sentidos radicalmente diversos. Em um deles, predominou o caráter militar-conservador, e em outro, o caráter estudantil-contestador".

Os países em que se deram, respectivamente, tais movimentos foram:


• FGV/2000/História
Ao lançar-se na aventura de retomada das Falklands/Malvinas o governo militar de Galtieri pretendia:


• FGV/2000/História
"Agora a Revolução está começando."
(Fidel Casto, 1 de janeiro de 1959)

Entre as medidas adotadas pelo recém-formado (1959-1960) governo cubano, estavam aquelas que estruturariam o projeto socialista na Ilha. São elas:


• UERJ/2002/História
"Bush quer atropelar FFHH e o Brasil. (...) Um de seus antecessores, Richard Nixon, ensaboou a ditadura militar dizendo ao general Médici que 'para onde o Brasil for irá o resto da América Latina'. Os generais acreditaram nisso. Pois veio o presidente Jimmy Carter e armou incrível encrenca com as violações dos direitos humanos praticadas pela mesma ditadura que Nixon besuntara. (...) Perderam o seu tempo. Tanto Nixon quanto Carter defendiam o interesse nacional americano."
(GASPARI, Élio. "O Globo", 04/04/2001.)

Com base na análise do texto, a dificuldade dos governos brasileiros nas relações com os EUA se manifesta, principalmente, pela seguinte razão:


• UEL/2001/História
A crise do sistema liberal-oligárquico, estimulada pelos acontecimentos de 1929, colocou em xeque vários sistemas políticos latino-americanos. Este fato, associado ao crescimento da participação popular no cenário social, possibilitou o aparecimento de regimes políticos denominados "populistas" pela historiografia. São exemplos de governos populistas na América Latina:


• FUVEST/2000/Português
Essa vida por aqui
é coisa familiar;
mas diga-me retirante,
sabe benditos rezar?
sabe cantar excelências,
defuntos encomendar?
sabe tirar ladainhas,
sabe mortos enterrar?
(João Cabral de Melo Neto, "Morte e vida severina")

O número de sílabas métricas (ou poéticas) dos versos do excerto é o mesmo do seguinte provérbio:


• UFRRJ/2001/História
"Apenas 37% dos habitantes da América Latina estão muito satisfeitos ou, ao menos, satisfeitos com o funcionamento da democracia. (...) Não que a democracia, como valor básico, esteja desmoralizada. (...) O problema não parece ser com o sistema, mas com seu funcionamento. Um dos fatores que talvez ajudem a entender a insatisfação majoritária com o funcionamento da democracia é o fato de que os latino-americanos não confiam uns nos outros."
ROSSI, Clóvis, in "FOLHA DE SÃO PAULO": maio de 2000. p. A21.

De acordo com o texto acima, constatam-se problemas quanto ao bom funcionamento da democracia na América Latina. Em 2000, no Peru e na Venezuela ocorreram fatos que parecem comprovar a afirmação do texto, pois em ambos houve


• UNIFESP/2002/Português
TEXTO I:
Perante a Morte empalidece e treme,
Treme perante a Morte, empalidece.
Coroa-te de lágrimas, esquece
O Mal cruel que nos abismos geme.
(Cruz e Souza, "Perante a morte".)

TEXTO II:
Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
(Gonçalves Dias, "I Juca Pirama".)

TEXTO III:
Corrente, que do peito destilada,
Sois por dous belos olhos despedida;
E por carmim correndo dividida,
Deixais o ser, levais a cor mudada.
(Gregório de Matos, "Aos mesmos sentimentos".)

TEXTO IV:
Chora, irmão pequeno, chora,
Porque chegou o momento da dor.
A própria dor é uma felicidade...
(Mário de Andrade, "Rito do irmão pequeno".)

TEXTO V:
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira
é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio! ... Musa! Chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...
(Castro Alves, "O navio negreiro".)

Um dos textos tem sua musicalidade garantida pela presença da rima em todos os finais dos versos e, ao mesmo tempo, pela repetição dessas rimas em seu interior, sem exceção. Esse texto é o:


• UFSM/2001/História
A vitória da guerrilha cubana, em 1959, fortaleceu a ideia de que as forças populares são capazes de enfrentar e vencer um exército regular, assim como demonstrou que as condições para uma revolução socialista podem ser criadas por um foco de insurreição.
A(s) consequência(s) desse tipo de revolução para a América Latina foi(foram)


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questões seguintes baseiam-se
em duas tirinhas de quadrinhos, de Maurício de Sousa (1935 -), e na "Canção do exílio", de Gonçalves Dias (1823-1864).

Canção do Exílio
(...)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Antônio Gonçalves Dias, "Primeiros Cantos")

Os versos da "Canção do exílio" são construídos nos moldes da redondilha maior, com predominância dos acentos de intensidade nas terceiras e sétimas sílabas métricas. Um verso que não segue esse padrão de tonicidade é:


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questões seguintes são relacionadas a uma passagem bíblica e a um trecho da canção "Cálice", realizada em 1973, por Chico Buarque (1944 -) e Gilberto Gil (1942 -).

TEXTO BÍBLICO
Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita! (Lucas, 22)
(in: Bíblia de Jerusalém. 7 impressão. São Paulo: Paulus, 1995)

TRECHO DE CANÇÃO
Pai, afasta de mim esse cálice!
Pai, afasta de mim esse cálice!
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue.

Como beber dessa bebida amarga,
Tragar a dor, engolir a labuta,
Mesmo calada a boca, resta o peito,
Silêncio na cidade não se escuta.
De que me vale ser filho da santa,
Melhor seria ser filho da outra,
Outra realidade menos morta,
Tanta mentira, tanta força bruta.

(in: www.uol.com.br/chicobuarque/)

Entendendo-se por rima a identidade ou semelhança de sons em lugares determinados dos versos, nota-se, nas linhas pares da segunda estrofe de "Cálice", que o único verso que frustra a expectativa de rima é:


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questões seguintes tomam por base a primeira estrofe de "O menino da porteira", de Teddy Vieira (1922-1965) e Luís Raimundo (1916 -), o Luisinho, e a letra de "Meu bem-querer", de Djavan (1949 -).

O Menino da Porteira

Toda a vez que eu viajava
Pela estrada de Ouro Fino,
De longe eu avistava
A figura de um menino,
Que corria abri[r] a porteira
Depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante, seu moço,
Que é p'ra mim ficá[ar] ouvindo.
...............................................
(Luisinho, Limeira e Zezinha, 1955)

Meu bem querer

Meu bem-querer
É segredo, é sagrado,
Está sacramentado
Em meu coração.
Meu bem-querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção.
Meu bem-querer, meu encanto,
Tô sofrendo tanto, amor.

E o que é o sofrer
Para mim, que estou
Jurado p'ra morrer de amor?
( Djavan. "Alumbramento". Emi-Odeon. 1980)

O processo estilístico em que um verso se estende no outro, sintática e semanticamente, é conhecido como encavalgamento, "cavalgamento" ou, muitas vezes, pelo termo francês "enjambement". Esse recurso é frequente na estrutura do texto poemático. As estrofes da poesia-canção de Djavan, por exemplo, têm seus versos quase que inteiramente estruturados por esse processo. Indique a alternativa em que não ocorre encavalgamento.


• UFV/2001/História
Em seus inflamados discursos, Martin Luther King, o líder e mártir da causa da emancipação civil dos negros norte-americanos, a partir da década de 50, costumava dizer que Cristo havia lhe dado a mensagem e Gandhi, o método. Esse método de luta que Gandhi utilizou para libertar a Índia da dominação inglesa ficou conhecida como:


• UFRN/2003/Português
Meu sonho

Eu
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso...
E galopas do vale através...
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?...
Tu escutas... Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O Fantasma

Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!...
AZEVEDO, A. de. "Lira dos vinte anos". São Paulo: FTD, 1994. p. 209. (Coleção Grandes Leituras)

O ritmo de um poema é determinado pelo número e pela acentuação de suas sílabas poéticas; já as rimas implicam igualdade sonora, especialmente ao final dos versos.
Por isso, é correto afirmar sobre "Meu sonho" que:


• UFRS/2004/Português
Leia os versos abaixo, da canção "Pra Dizer Adeus", de Tony Bellotto e Paulo Miklos, da banda "Os Titãs".

"Você apareceu do nada
E você mexeu demais comigo
Não quero ser mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá para imaginar quando
É cedo ou tarde demais,
Pra dizer adeus, pra dizer jamais"

Em relação ao excerto acima, são feitas as seguintes afirmações.

I - A canção apresenta características típicas da poesia contemporânea, como versos livres, e não utiliza procedimentos tradicionais como rimas, paralelismos e repetições anafóricas.
II - Nesses versos, que se dirigem a um alguém (você), que pode ser homem ou mulher, o poeta não define, com clareza, o tipo de sentimento que nutre por essa pessoa.
III - Com exceção dos três últimos versos, que se encadeiam, os demais constituem unidades de sentido autônomas e descontínuas.

Quais estão corretas?


• CESGRANRIO/2004/Português
Texto

A bela bola
rola:
A bela bola do Raul.

Rosa amarela,
a da Arabela.
A do Raul,
azul.
Rola a amarela
e pula a azul.
A bola é mole,
é mole e rola.
A bola é bela,
é bela e pula.

É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.

A do Raul é de Arabela,
a de Arabela é de Raul.
Cecília Meireles

Assinale a característica da autora que o texto NÃO apresenta.


• UFES/2001/História
No final da década de 70, a Nicarágua foi palco de uma explosão revolucionária que deu novas forças à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), ampliou as possibilidades de lutas e derrotou em 1979 Anastasio Somoza Debayle.
Os sandinistas lutavam contra a


• UFMG/2005/Português
Com base na leitura de "Flor da morte", de Henriqueta Lisboa, é INCORRETO afirmar que a linguagem poética


• UFU/2001/História
A respeito da política norte-americana em relação aos países da América Central no século XX, podemos afirmar que

I - em El Salvador os grupos guerrilheiros, unificados na Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) enfrentaram, nos anos 80, uma sangrenta repressão de grupos paramilitares, financiados pelos Estados Unidos e ligados aos organismos de segurança do governo e às oligarquias locais.
II - a criação do Panamá como Estado independente, desmembrado da Colômbia, deveu-se à ação dos Estados Unidos, no âmbito da política de intervenções armadas ("Big Stick"), para assegurar os interesses norte-americanos na construção de um canal interligando os oceanos Atlântico e Pacífico.
III - a ameaça representada pela vitória da Revolução Sandinista na Nicarágua levou os Estados Unidos a alterar sua política para a América Central, passando das intervenções diretas e financiamento de governos ditatoriais, à concessão de ajuda financeira destinada a acabar com a pobreza e com as desigualdades sociais.
IV - no início dos anos 80, o fortalecimento dos setores populares e nacionalistas na América Central levou à vitória da guerrilha em El Salvador, implantando um governo revolucionário esquerdista e, no Panamá, forçando a devolução da Zona do Canal.

Assinale a alternativa correta.


• UFRS/2004/Português
Leia os versos abaixo, do poema "Chama e Fumo" de Manuel Bandeira.

"Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
[...]
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa..."

Assinale a alternativa correta sobre os versos citados.


• UFU/2001/História
"Trabalhadores, há quase dois anos, deste mesmo balcão, afirmei ter três pontos de honra: o de ser soldado, o de ser patriota e o de ser o primeiro trabalhador argentino. (...) Por isso, senhores, quero nesta oportunidade, misturado com esta massa suada, estreitar profundamente a todos contra meu coração, como faria com minha mãe."
(Pronunciamento de Perón, em outubro de 1945.)

Tomando como referência o trecho do discurso acima e seus conhecimentos sobre o Peronismo na Argentina, assinale a alternativa correta.


• UFU/2001/História
Desde o final da Segunda Guerra Mundial até o início dos anos 70, os Estados Unidos passaram por um período de grande desenvolvimento econômico, acompanhado de importantes mudanças de comportamentos e valores sociais. A esse respeito, assinale a alternativa INCORRETA.


• UFSCAR/2002/História
Ainda que controlados e distribuídos com austeridade, há alimentos, roupas e moradia para todos. A educação e a saúde são gratuitas e o direito ao trabalho é sagrado. Permanecem na memória apenas como lição e advertência as imagens de tempos mais ásperos, quando a Revolução engatinhava e seus dirigentes buscavam substituir, em poucos meses ou anos, uma tecnologia que o capitalismo desenvolveu e explorou ao longo de décadas - e que em janeiro de 1959, ao ser derrotado, levou embora.

O texto, escrito pelo jornalista Jorge Escosteguy ("São Paulo: Alfa-Omega", 1978), trata da história


• PUC RIO/2002/História
As alternativas abaixo apresentam características comuns às experiências colonizadoras portuguesa e espanhola na América entre os séculos XVI e XVIII, COM EXCEÇÃO DE:


• FUVEST/2002/História
É possível constatar semelhanças entre os governos de Getúlio Vargas (Brasil), Lázaro Cárdenas (México) e Juan Domingo Perón (Argentina), pois esses líderes


• FUVEST/2002/História
O processo de modernização na América Latina (1870-1914) está associado


• FGV/2002/História
"Fale macio e use um porrete", dizia o presidente norte-americano Theodore Roosevelt para justificar a política externa dos EUA. A respeito da política conhecida como "Big Stick", podemos afirmar:


• FGV/2002/Português
Cada uma das palavras a seguir apresenta separação silábica em um ponto. Assinale a alternativa em que não haja erro de separação.



• UNIFESP/2002/História
"Nosso sistema é impróprio para governar províncias dominadas. Elas não têm lugar nele. Elas se tornariam sedes de corrupção e isto iria afetar nosso próprio corpo político. Se nós admitimos a ilha [Cuba] como um estado ou um grupo de estados, deveríamos permitir que ela fizesse parte de nosso governo." (William Graham Summer, em 1896.)

Neste texto, o autor


• FGV/2001/Português
Assinale a alternativa verdadeira.


• FGV/2002/Português
Os dois hiatos das formas verbais devem ser acentuados apenas na alternativa:


• UFC/2001/História
A reeleição de Alberto Fujimori como Presidente do Peru garantiu seu terceiro mandato. Esse fato, no atual contexto político da América Latina, pode ser interpretado como:


• FGV/2001/Português
Assinale a alternativa verdadeira.




• PUC MG/2001/História
"Os Estados Unidos são felizes ao encorajar e apoiar os banqueiros americanos que aceitaram estender sua mão caridosa a esses países para prover sua reabilitação financeira."
(Presidente Taft em discurso no Congresso norte-americano em 03.12.1912)

O texto acima tem relação com a Política Externa norte-americana para a América Latina, denominada de:


• PUC MG/2001/História
Nos países latino-americanos, a crise do modelo agro-exportador, a partir dos anos 1930, deu lugar a profundos processos de transformação econômica e social, entre os quais podemos citar, EXCETO:


• UFC/2000/Português
TEXTO 1: LUZIA-HOMEM
...Sentia ainda zumbir o vento nos ouvidos, quando, em desapoderada carreira, o castanho perseguia, através dos campos em flor, as novilhas lisas ou os fuscos barbatões, que espirravam dos magotes; o ecoar da voz gutural do pai, cavalgando, à ilharga, o melado caxito, e bradando-lhe, quente de entusiasmo: "Atalha, rapariga!... Não deixes ganharem a caatinga!..." E quando ela, triunfante das façanhas do campeio, o castanho a passarinhar nas pontas dos cascos, garboso, vibrátil de árdego, as ventas resfolegantes, os grandes e meigos olhos rutilantes, todo ele reluzente de suor, como um bronze iluminado, o enlevo do pai a contemplá-la, orgulhoso, e indicando-a aos outros vaqueiros: "Vejam, rapaziada!... Isto não é rapariga, é um homem como trinta, o meu braço direito, uma prenda que Deus me deu... "E as moças, suas companheiras, murmuravam espantadas: "Virgem Maria! Credo!... Como é que a Luzia não tem vergonha de montar escanchada!..."
(Olímpio, Domingos. "Luzia-Homem". São Paulo: Três, 1973. p.78/79)


TEXTO 2: DÔRA, DORALINA
1 No Rio eu não tinha vestido luto, ia lá me lembrar de comprar roupa. Mas no sertão achei o preto obrigatório. Era o meu documento de viuvez, ou mais que isso; aquela roupa preta era a carta de marido que eu assinava para o Comandante.
2 O luto, ali, ainda era o passaporte da viúva; me garantia o direito de viver sozinha sem ninguém me perturbar em nada, de mandar e desmandar no meu pequeno condado - tão feio e tão decadente. O condado de Senhora! - sendo que agora a Senhora era eu.
(QUEIROZ, Rachel de. "Dôra, Doralina". São Paulo: Siciliano, 1992. p.236/7)


TEXTO 3: A ESCRAVA ISAURA
... A fisionomia, cuja expressão habitual era toda modéstia, ingenuidade e candura, animou-se de luz insólita; o busto admiravelmente cinzelado ergueu-se altaneiro e majestoso; os olhos extáticos alçavam-se cheios de esplendor e serenidade; os seios, que até ali apenas arfavam como as ondas de um lago em tranqüila noite de luar, começaram de ofegar, túrgidos e agitados, como oceano encapelado; seu colo distendeu-se alvo e esbelto como o do cisne, que se apresta a desprender os divinais gorjeios.
(GUIMARÃES, Bernardo. "A Escrava Isaura". São Paulo: Ática, 1994. p.69)


TEXTO 4: HELENA
1 Helena tinha os predicados próprios a captar a confiança e a afeição da família. Era dócil, afável, inteligente. Não eram estes, contudo, nem ainda a beleza, os seus dotes por excelência eficazes. O que a tornava superior e lhe dava probabilidade de triunfo, era a arte de acomodar-se às circunstâncias do momento e a toda casta de espíritos, arte preciosa, que faz hábeis os homens e estimáveis as mulheres. Helena praticava de livros ou de alfinetes, de bailes ou de arranjos de casa, com igual interesse e gosto, frívola com os frívolos, grave com os que o eram, atenciosa e ouvida, sem entono nem vulgaridade. Havia nela a jovialidade da menina e a compostura da mulher feita, um acordo de virtudes domésticas e maneiras elegantes.
2 Além das qualidades naturais, possuía Helena algumas prendas de sociedade, que a tornavam aceita a todos, e mudaram em parte o teor da vida da família. Não falo da magnífica voz de contralto, nem da correção com que sabia usar dela, porque ainda então, estando fresca a memória do conselheiro, não tivera ocasião de fazer-se ouvir. Era pianista distinta, sabia desenho, falava corretamente a língua francesa, um pouco a inglesa e a italiana. Entendia de costura e bordados, e toda a sorte de trabalhos feminis. Conversava com graça e lia admiravelmente. Mediante os seus recursos, e muita paciência, arte e resignação, - não humilde, mas digna, - conseguia polir os ásperos, atrair os indiferentes e domar os hostis.
(ASSIS, Machado de. "Helena". Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p.286)

Considerando que, na passagem a seguir, os sons das palavras se correlacionam ao sentido que estas traduzem no contexto, avalie as seguintes afirmações, quanto ao segmento destacado.
"SENTIA AINDA ZUMBIR O VENTO NOS OUVIDOS, QUANDO, EM DESAPODERADA CARREIRA, o castanho perseguia, através dos campos em flor, as novilhas lisas ou os fuscos barbatões, que espirravam dos magotes;" (texto 1)

I . Os fonemas nasais em alternância sugerem o barulho dos cascos do cavalo no pasto.
II. A insistência nos fonemas sibilantes conjugada à nasalidade das vogais evoca o barulho do vento.
III. O ritmo da corrida do cavalo é sugerido em "desapoderada" por sons oclusivos e alternância de vogais abertas/fechadas.
IV. A palavra "sentia" é fonologicamente motivada, uma vez que seu significado se correlaciona à pronúncia de seus fonemas.

Estão corretas as afirmações contidas na alternativa:


• UFMG/2001/História
Observe esta charge:
Nessa charge, pretende-se


• UNIFESP/2003/Português
INSTRUÇÃO: As questões seguintes são relacionadas a uma passagem bíblica e a um trecho da canção "Cálice", realizada em 1973, por Chico Buarque (1944 -) e Gilberto Gil (1942 -).

TEXTO BÍBLICO
Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita! (Lucas, 22)
(in: Bíblia de Jerusalém. 7 impressão. São Paulo: Paulus, 1995)

TRECHO DE CANÇÃO
Pai, afasta de mim esse cálice!
Pai, afasta de mim esse cálice!
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue.

Como beber dessa bebida amarga,
Tragar a dor, engolir a labuta,
Mesmo calada a boca, resta o peito,
Silêncio na cidade não se escuta.
De que me vale ser filho da santa,
Melhor seria ser filho da outra,
Outra realidade menos morta,
Tanta mentira, tanta força bruta.

(in: www.uol.com.br/chicobuarque/)

Na língua portuguesa escrita, quando duas letras são empregadas para representar um único fonema (ou som, na fala), tem-se um "dígrafo". O dígrafo só está presente em todos os vocábulos de:


• PUC MG/2004/Português
QUESTÃO RELACIONADA À OBRA BEIRA-MAR, DE PEDRO NAVA.
Todos os trechos a seguir revelam a sensibilidade de Pedro Nava em explorar fonemas, dos quais obtém resultados significativos, como se vê nos trechos que se seguem, EXCETO:


• UFMG/2001/História
Considerando-se as relações internacionais com Cuba após a vitória da Revolução, em 1959, é CORRETO afirmar que


• UFG/2005/Português
Maracatu acelerado na Veneza brasileira

Troca-troca na ponta da corrida eleitoral da Veneza brasileira. Pela primeira vez o atual prefeito da cidade e candidato à reeleição [...] assume a liderança da disputa.
"ISTOÉ", São Paulo, 28 set. 2004, p. 8, Suplemento Eleições.

O enunciado que dá título ao trecho da reportagem apresentada refere-se aos rumos das eleições municipais de 2004 em uma capital brasileira. Ao utilizar a expressão "Maracatu acelerado" para descrever o cenário eleitoral, o jornalista recorreu a imagens que relacionam:


• UFMG/2001/História
Considerando-se as relações entre a América Latina e os Estados Unidos a partir de meados do século XIX, é CORRETO afirmar que


• FGV/2001/História
Sobre o Plano Colômbia, é INCORRETO afirmar que:


• FGV/2001/História
Leia atentamente as afirmações abaixo sobre as transições na Argentina, Chile e Uruguai e assinale a afirmativa correta.

I. Assim como no Brasil, a transição dessas Ditaduras à Democracia deu-se sob controle militar, com pactos de eleições indireta e anistia recíproca.
II. As vitórias, em eleições diretas, de Alfonsin em 1983, Sanguinetti em 1984 e Aylwin em 1989 são os marcos da retomada democrática pós-ditatorial nesses países.
III. Julgados e condenados pela justiça civil, seis militares, oficiais superiores argentinos, foram condenados por violação aos Direitos Humanos durante a Ditadura e indultados, posteriormente, pelo governo Menem.
IV. A Lei de Caducidad de la Pretensión Punitiva del Estado, que anistiava os responsáveis por crimes durante a ditadura uruguaia, passou por um plebiscito (referendum) no qual foi aprovada, impedindo oficialmente o conhecimento e a responsabilização dos militares criminosos.
V. O apoio de todos os setores políticos chilenos a Pinochet impede o conhecimento da verdade sobre a Ditadura e o julgamento de militares criminosos até hoje.


• ITA/2002/Português
Assinale a sequência de palavras acentuadas pela mesma regra gramatical:


• UERJ/2000/História
O mapa abaixo indica intervenções empreendidas pelos EUA na América Latina.
LEGENDA:
1 - Ilhas Virgens
2 - Porto Rico
3 - Rep. Dominicana
4 - Haiti
5 - Panamá
6 - Cuba
7 - Nicarágua
8 - México
(AQUINO, R. S. L. de; LEMOS, N. J. F. de & LOPES, 0. G. R C. "História das Sociedades Americanas" Rio de Janeiro: Eu e Você, 1997.)

Até o final da década de 20 deste século, estas ações dos EUA podem ser consideradas como resultado dos seguintes fatores:


• UFSM/2001/Português
BRASIL, MOSTRA A TUA CARA

A busca de uma identidade nacional é preocupação deste século
João Gabriel de Lima

1 Ao criar um livro, um quadro ou uma canção, o artista ¢¢brasileiro dos dias atuais tem uma preocupação a menos: parecer brasileiro. A noção de cultura nacional é algo tão incorporado ao cotidiano do país que deixou de ser um peso para os ¢£criadores. Agora, em vez de servir à pátria, eles podem servir ao próprio talento. §Essa é uma ¨conquista deste século. Tem como marco a Semana de Arte Moderna de 1922, ¢uma espécie de ©grito de independência artística do país, cem anos depois da £independência política. Até esta data, o ¢¤brasileiro era, antes de tudo, um ¢¥envergonhado. Achava que pertencia a uma raça inferior e que a única solução era imitar os modelos culturais importados. Para acabar com esse complexo, foi preciso que um grupo de artistas de diversas áreas se reunisse no Teatro Municipal de São Paulo e bradasse que ser brasileiro era bom. O escritor Mário de Andrade lançou o projeto de uma língua nacional. Seu colega Oswald de Andrade propôs o conceito de "antropofagia", segundo o qual a cultura brasileira criaria um caráter próprio depois de digerir as influências externas.
2 A semana de 22 foi só um marco, mas pode-se dizer que ela realmente criou uma agenda cultural para o país. Foi tentando inventar uma língua brasileira que Graciliano Ramos e Guimarães Rosa escreveram suas obras, ¤as mais significativas do ªséculo, no país, no campo da prosa. Foi recorrendo ao bordão da antropofagia que vários artistas jovens, nos anos 60, inventaram a cultura pop brasileira, no movimento conhecido como tropicalismo. No plano das ideias, o século gerou três obras que se tornariam clássicos da reflexão sobre o país. "Os Sertões", do carioca Euclides da Cunha, escrito em 1902, é ainda influenciado por teorias racistas do século passado, que achavam que a mistura entre negros, ¢¦brancos e índios provocaria ¥um "enfraquecimento" da raça brasileira. Mesmo assim, é ¦um livro essencial, porque o repórter Euclides, que trabalhava no jornal "O Estado de S. Paulo", foi a campo cobrir a guerra de Canudos e viu na frente de ¢©combate muitas coisas que punham em questão as teorias formuladas em gabinete. "Casa-Grande & Senzala", do pernambucano Gilberto Freyre, apresentava pela primeira vez a miscigenação como algo positivo e buscava nos primórdios da colonização portuguesa do país as origens da sociedade que se formou aqui. Por último, o paulista Sérgio Buarque de Holanda, em "Raízes do Brasil", partia de premissas parecidas mas propunha uma visão crítica, que influenciaria toda a sociologia produzida a partir de então.
"VEJA", 22 de dezembro, 1999. p. 281-282.

Em qual alternativa os pares de palavras do texto NÃO seguem a mesma regra de acentuação?


• UNIRIO/2000/História
A doutrina populista latino-americana, de cunho nacionalista, inspirada no nazifascismo, apresentada como uma "terceira posição" entre o comunismo e o capitalismo, e definida como justicialismo, foi implementada pelo governo de:


• UFAL/2000/Português
Língua para inglês ver

A incorporação da língua inglesa aos idiomas nativos dos mais diversos países não é novidade. Traduz, no âmbito da linguagem, uma hegemonia que os Estados Unidos consolidaram desde a década de 50. Com a globalização e o encurtamento das distâncias entre as nações obtido pelo avanço dos meios de comunicação, a contaminação das demais línguas pelo inglês ficou ainda mais patente.
O fenômeno não é em si mesmo nocivo. Pode até enriquecer um idioma ao permitir que se incorporem informações vindas de fora que ainda não têm correspondência local. A Internet é um exemplo nesse sentido.
Outra coisa, porém, bem diferente, é o uso gratuito de palavras em inglês como o que se verifica hoje no Brasil. A não ser pela vocação novidadeira - e caipira - de quem se deslumbra diante de qualquer coisa que o aproxima do "estrangeiro", não há nenhuma razão para que se diga "sale" no lugar de liquidação, ou qualquer motivo para falar "off" em vez de desconto. Tais anomalias são um dos sintomas do subdesenvolvimento e exprimem, no seu ridículo involuntário, a mentalidade de quem confunde modernidade com uma temporada em Miami.
Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma ortográfica para "germanizar" expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente.
Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade. No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra "entrega" em vez de "delivery".
(FOLHA DE S. PAULO - 20/10/97)

A acentuação dos dois vocábulos obedece à mesma regra de acentuação do vocábulo LÍNGUA em:


• UFLAVRAS/2000/Português
BRASILEIRO, HOMEM
DO AMANHÃ

(Paulo Mendes Campos - Adaptação)

Há em nosso povo duas constantes que nos induzem a sustentar que o Brasil é o único país brasileiro de todo o mundo. Brasileiro até demais. Colunas da brasilidade, as duas colunas são: a capacidade de dar um jeito; a capacidade de adiar.
A primeira é ainda escassamente conhecida, e nada compreendida, no exterior; a segunda, no entanto, já anda bastante divulgada lá fora, sem que, direta ou sistematicamente, o corpo diplomático contribua para isso.
Aquilo que alguns autores ingleses diziam apenas por humorismo (nunca se fazer amanhã aquilo que se pode fazer depois de amanhã), não é no Brasil uma deliberada norma de conduta, uma diretriz fundamental. Não, é mais, é bem mais forte do que qualquer princípio da vontade: é um instinto inelutável, uma força espontânea da estranha e surpreendente raça brasileira.
Para o brasileiro, os atos fundamentais da existência são: nascimento, reprodução, adiamento e morte (esta última, se possível, também protelada).
Adiamos em virtude dum verdadeiro e inevitável estímulo inibitório, do mesmo modo que protegemos os olhos com as mãos ao surgir na nossa frente um foco luminoso intenso. A coisa deu em reflexo condicionado: proposto qualquer problema a um brasileiro, ele reage de pronto com as palavras: logo à tarde, só à noite; amanhã; segunda-feira; depois do carnaval; no ano que vem.
Adiamos tudo: o bem e o mal, o bom e o mau, que não se confundem, mas tantas vezes se desemparelham. Adiamos o trabalho, o encontro, o almoço, o telefonema, o dentista, o dentista nos adia, a conversa séria, o pagamento do imposto de renda, as férias, a reforma agrária, o seguro de vida, o exame médico, a visita e pêsames, o conserto do automóvel, o concerto de Beethoven, o túnel para Niterói, a festa de aniversário da criança, as relações com a China, tudo. Até o amor. Só a morte e a promissória são mais ou menos pontuais entre nós. Mesmo assim, há remédio para a promissória: o adiamento bi ou trimestral da reforma, uma instituição sacrossanta no Brasil.
O brasileiro adia; logo existe. A única palavra importante para ele é amanhã.
O resto eu adio para a semana que vem.

Assinale a alternativa em que todas as palavras acentuam-se pela mesma razão:


• UFF/2000/História
A partir da década de 30, a chamada "política de boa vizinhança" inaugurada pelos Estados Unidos significou, para a América Latina, a imposição de padrões culturais norte-americanos.
Assinale a opção que se refere, incorretamente, a este processo.


• UFSM/2000/História
O fenômeno do populismo na América Latina está diretamente vinculado ao (à)

I. ruptura da hegemonia política tradicionalmente exercida pelas oligarquias agroexportadoras.
II. modernização da economia, aceleração do processo de industrialização e de urbanização
III. tomada do poder pelas classes populares.
IV. fortalecimento da ação do Estado, que assume feições autoritárias e paternalistas.

Estão corretas


• UFSM/2002/Português
MARCELO BERABA

Desejo de matar

1 RIO DE JANEIRO - A TV Globo estreou mais uma série importada que enaltece os ¤grupos de ¢¥extermínio. Esta agora chama-se "Angel" e conta a história de um vampiro bom que sai pela cidade eliminando vampiros maus. Para isso, o herói vampiro conta com a ajuda de três pessoas, uma delas ¨delegada de polícia.
2 Parece que esta série é apenas um ªtapa-buraco na programação da emissora, que nem fez muito alarde com o filme. Mas não é a primeira vez que a TV explora o tema. Teve uma, "Justiça Cega", em que um juiz, inconformado com as amarras da lei, fazia justiça com as próprias mãos.
3 O justiceiro passava o dia de toga examinando processos e à noite montava numa moto e saía matando os ©bandidos que tinha sido obrigado a inocentar por falta de provas.
4 A mensagem desses filmes é sempre a mesma. Não é ¢¤possível combater o ¢crime com os instrumentos que a sociedade coloca à disposição da £Justiça e das polícias. É preciso montar polícias e ¢¢justiças paralelas, que usem as mesmas armas e recursos imorais dos criminosos.
5 "Angel" e seus vampiros permitem várias interpretações. Uma delas é simples: o combate ao crime já não é tarefa para homens comuns. Os criminosos estão cada vez mais sofisticados. São seres mutantes. ¦Juízes e policiais comuns, por mais bem preparados que estejam, não dão conta do recado.
6 A série é ¢¡lixo e não tem a menor importância. O problema é na vida real, quando as empresas acham normal buscar formas de convivência com o ¥narcotráfico. Quando o Estado acha normal que o §crime organizado monte banquinhas de apostas no meio das calçadas. E quando o ¢£sistema penitenciário ajuda a organização dos presos para evitar rebeliões.
7 Pensando bem, não ¢¦há por que se espantar com "Angel" e similares se as deformações que procuram legitimar fazem parte do nosso cotidiano.
("Folha de São Paulo", 9 de março de 2001.)

As palavras "extermínio" (ref.14), "Juízes" (ref.5) e "há" (ref.15) seguem, respectivamente, a mesma regra de acentuação de:


• PUC CAMPINAS/2000/História
Leia o texto.

"Não há esperança de que o velho modelo estatal tenha muito tempo de sobrevida. Os cubanos parecem apenas desejar que a transição não seja muito dramática e se conservem as conquistas nos campos da educação e da saúde, os dois principais cartões de visita do regime."
(Luiz Zanin Oricchio. "A Ilha de Fidel. Estado de S. Paulo", 05/01/97)

A Revolução Cubana de 1959 emergiu no contexto da Guerra Fria, elevando ainda mais as tensões existentes entre as superpotências a partir do alinhamento de Cuba à URSS, em 1961. No fim da década de 1980, a crise do socialismo real no Leste Europeu provocou grandes repercussões econômicas e políticas na Ilha. Com base no conhecimento histórico e no texto, pode-se afirmar que, nos últimos anos, Cuba:


• UFV/2005/História
O uso da denominação América Latina é problemático, devido à grande diversidade econômica e social entre os países que se originaram da colonização ibérica e francesa. Todavia, há uma relativa unidade entre eles, que pode ser percebida na identidade dos problemas e das situações que enfrentam desde sua emancipação política.
Sobre a unidade entre os países latino-americanos, é CORRETO afirmar que:


• PUC RIO/2005/História
Assinale a opção correta a respeito das lutas de independência no Haiti (1791-1804) e nas Treze Colônias Inglesas (EUA - 1776-1783).


• FUVEST/2005/História
Qual das afirmações seguintes, sobre o regime republicano de governo, é verdadeira?


• UFRS/2004/História
A ocupação napoleônica na Espanha criou condições propícias aos movimentos de libertação ocorridos na América espanhola. Em relação a esses processos de emancipação, assinale a alternativa correta.


• UFG/2004/História
Na primeira metade do século XIX, a América Latina foi convulsionada pelos movimentos de independência, provocando instabilidade na política internacional. Diante desse contexto, o governo norte-americano anunciou a Doutrina Monroe (1823), que se relaciona com


• UERJ/2004/História
Com o termo Caudilhismo nos referimos ao regime imperante na maior parte dos países da América espanhola, no período que vai dos primeiros anos da consolidação definitiva da Independência, em torno de 1820, até 1860, quando se concretizaram as aspirações de unificação nacional.
(BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora UnB, 1986.)

Levando-se em consideração o período citado por Bobbio, o Caudilhismo é caracterizado, quase sempre, por:



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