Busca  
  Datas comemorativas   
Material Complementar.  

Quilombos: Arturos e Vale do Ribeira

A comunidade de ex-escravizados continua resistente em São Paulo.

O que restou

Uma pequena comunidade de negros descendentes de africanos sobrevive até hoje em uma antiga área de quilombo. O local é Ivaporanduva, no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo. O povoado tem em média 500 moradores, que vivem da plantação de alimentos e da pesca. A maioria é analfabeta, mas há muitas crianças que frequentam a escola da cidade vizinha, Eldorado. No Sul do estado de São Paulo há muitas comunidades quilombolas; nesta mesma região, que abriga a maior vegetação remanescente da Mata Atlântica do Brasil, vivem povos indígenas, caiçaras, pequenos produtores rurais e os quilombolas.

Há pelo menos 30 comunidades descendentes de quilombos no Vale do Ribeira. Este conjunto de pessoas está distribuído principalmente pelos municípios de Iporanga, Eldorado, Barra do Turvo, Cananeia, Iguape, Itaoca e Jacupiranga.
 

O começo

Os moradores da comunidade contam que seus antepassados foram trazidos para o Vale do Ribeira por uma fazendeira, Joanna Maria, que  trouxe alguns de seus escravos para garimpar ouro na região. Na época, ela adoeceu e foi se tratar na cidade, onde morreu em 1802, deixando as terras como doação para seus escravos. Estes e outros escravizados fugidos de algumas fazendas terminaram por fundar um quilombo na região.

Casinhas de alvenaria

A maioria das construções do povoado é de alvenaria, mas há também algumas casas de pau a pique. Diferentemente de alguns outros quilombos, Ivaporanduva tem luz elétrica e uma televisão, que fica instalada em um galpão especial.

Mineiros

Outra comunidade descendente de quilombolas é a dos Arturos, em Domingos Pereira, próximo da cidade de Contagem (MG). Este povo está sendo cada vez mais conhecido e faz da cidade um espaço de visitação.

A comunidade foi fundada pelos escravos fugidos: Arthur Camilo Silvério (de onde vem o termo Arturos) e Felisbela Rita Cândida, na segunda metade do século 19. Podemos encontrar em algumas cidades do estado de Minas Gerais a forte expressão dos congados, chamados de Reinados e Irmandades de Nossa Senhora do Rosário. Na maioria das vezes, esses prestam homenagens a santos negros, como São Benedito, Santa Efigênia, Santo Antônio, São Jorge, Nossa Senhora Santana e Nossa Senhora das Mercês. Existe uma forte presença da oralidade, ancestralidade, e uma tradição que contribui para a construção da identidade cultural do povo brasileiro. A comunidade dos Arturos faz menções também em suas realizações festivas à criação de reis, juízes e juízas nas festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
Estas pessoas realizam festas durante todo o ano, por exemplo: o dia 13 de maio (abolição da escravatura), Festa de  Nossa Senhora do Rosário, no mês de outubro, Folia de Reis, em dezembro, encerrando-se em 25 de dezembro, quando o rei visita os presépios das casas dos Arturos e dos bairros vizinhos. Vê-se outras realizações festivas, como batuques, em casamentos, aniversários e batizados.

Os laços familiares têm um poder muito grande dentro da comunidade e o respeito com os mais velhos apresenta lugar de destaque neste espaço. As crianças e os jovens ficam com a responsabilidade de dar continuidade à tradição dos Arturos.



Sincretismo

A comunidade quilombola dos Arturos (MG) foi fundada por escravos fugidos no século 19
Na religião, os Arturos misturam os rituais de catolicismo com religiões afro-brasileiras. Os santos católicos acabaram sendo colonizados, servindo de auxílios às divindades africanas. Eles conciliam o saber das gerações, e juntos buscam desenvolver uma visão, dentro da história e da tradição, que desenvolva uma ação social inclusiva.

É por meio da história e da resistência, e próximos a uma Igreja, que primeiro os rejeitou e depois os assumiu, que os Arturos buscam se firmar e não deixar o passado morrer. Vê-se na Congada, preservada pela comunidade e diversos grupos mineiros, um catolicismo repleto de valores negros recriados a partir da experiência forçada na escravidão (cativeiro).

Praticamente toda a vivência religiosa e festiva é relacionada à presença dos antepassados; os reis, as rainhas, os chefes, todos esses recebem o título após a morte ou saída de alguém da família/comunidade. Os tambores, as batidas e os cantos são na maioria das vezes voltadas aos ancestrais.

Os Arturos são povos que simbolizam a união e a fé, o sagrado, e, por ora, o profano. Tudo é muito musical, com cantos e danças.









Anterior Início Próxima
Estamos adequando nosso conteúdo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Klicknet ©Copyright 2000-2006 Klicknet S.A. Todos os direitos reservados