| Cultura Brasileira |
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| Ciências Humanas e suas Tecnologias. |
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Séculos de miscigenação com mulçumanos do norte da África justificam a enorme permissividade de Portugal com relação a determinadas práticas musicais e religiosas: os batuques. Nos Estados Unidos, por exemplo, os negros não tiveram permissão para tocar seus tambores. Sabe-se que foram certamente os africanos do grande grupo etnolinguístico banto que trouxeram à música brasileira os alicerces do samba e a grande variedade de manifestações que lhe são afins.
Candomblé
| | | Batuque de Tietê, Capivari e Piracicaba |
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Na África, ser músico é quase como ser padre, pois a música está ligada às tradições religiosas. E aquele que nasce em uma família de músicos deve seguir o ofício até o fim da vida. Nenhum ritual importante na religiosidade africana é praticado sem música. Canta-se e toca-se para tudo e para todos os santos. No Brasil, o candomblé exerceu forte influência na música de todo o país e é conhecido nas diversas regiões por nomes diferentes. No Maranhão, o culto é conhecido como tambor de mina. Do Rio Grande do Norte até Sergipe, o candomblé recebe o nome de xangô. Já no Rio Grande do Sul, o nome corrente é simplesmente batuque.
 | | | O lundu, dança e canto de origem africana, era desprezado pelos portugueses, que o consideravam obsceno |
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Danças dos negros
| | | Batuque de Porto Alegre. Acervo Associação Cachuera |
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Batuque é a denominação genérica para as danças dos negros africanos. Carimbó, tambor de criola, bambelô, zambê, candomblé, samba de roda, jongo, caxambu são alguns dos batuques ainda praticados em todo o Brasil, principalmente nas ocasiões em que os negros se reúnem para festejar ou lembrar a escravidão. A palavra 'batuque' aparece nos relatos mais antigos da nossa história. No entanto, não se sabe se ela se refere a uma dança de sapateados e palmas ou a um ritual religioso. Sabe-se, porém, que os senhores tinham total desprezo pelas práticas culturais africanas por considerá-las obscenas. A umbigada, gesto em que os ventres do homem e da mulher se encontram no ponto culminante da música, era uma das danças desprezadas pelos senhores de engenho.
Festas religiosas
 | | | Festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros, deu origem aos cordões carnavalescos |
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Muitas das manifestações populares, como o maracatu – grupo carnavalesco pernambucano com pequena orquestra de percussão – e o reisado – grupos que cantam e dançam na véspera e no Dia de Reis –, estão ligadas às festas religiosas brasileiras. No entanto, nem todas as práticas religiosas resistiram à ação do tempo. Para ouvir uma encomendação de almas, por exemplo, só se for em uma das poucas cidades, como Santa Rosa de Viterbo, em São Paulo, onde a procissão noturna que pede pelas almas do purgatório ainda é realizada. Na Sexta-feira da Paixão, os músicos esperam dar meia-noite para acompanhar o cortejo purificador das rezadeiras. Congadas, cantos e bailados que tratam de assuntos religiosos ou profanos são raridades que só podem ser vistas nas festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
Você sabia?
No candomblé usam-se três tambores de timbres diferentes e um agogô, instrumento de ferro que repercute como um sino, para acompanhar as cantigas levadas pelos pais e mães de santo na condução das cerimônias religiosas. Ainda hoje, a língua dos cânticos preserva palavras da língua original.
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