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| Dos blocos à maior festa do mundo |
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O início não foi nada pretensioso: apenas um grupo de amigos reunidos para cantar e dançar ao som de um grupo de percussão. Tanto no Rio como em São Paulo, a maioria das Escolas de Samba se originou nos antigos blocos, cordões e ranchos que animavam os Carnavais do passado. A partir daí a festa cresceu e se organizou cada vez mais até se tornar o cartão de visita do Brasil. A Bahia invade o Rio
O toque de gênio do Carnaval brasileiro vem com a contribuição negra. No começo do século XX, as casas dos migrantes baianos na Praça Onze, no Rio, ficaram famosas por seus candomblés e rodas de samba. E uma das mais conhecidas era a casa de Tia Ciata, frequentada por músicos como Donga, Pixinguinha e Sinhô: esse grupo foi responsável pela criação do primeiro samba gravado, Pelo Telefone, em 1917. Na década de 1920, com a urbanização do Rio os negros foram obrigados a deixar o centro para viver nos morros. E lá, a batucada ganhou forma e fama. Em agosto de 1928, Ismael Silva e outros sambistas fundaram a Deixa Falar, primeira Escola de Samba, atual Estácio de Sá. Todos os anos seus integrantes desciam o morro para desfilar na Praça Onze, promovendo mais uma grande transformação no Carnaval, que originou o samba-enredo e as escolas atuais.
 | | | Os blocos foram uma das sementes que deram origem às atuais Escolas de Samba. Na foto, o bloco Mimosas Democráticas, no início do século XX. Sentado no chão, de camisa branca, o sambista Sinhô |
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| Fique ligado! O sambista Ismael Silva foi o primeiro a usar o termo "escola de samba". E explicava a expressão assim: "Havia lá uma escola com professores e normalistas. Por que não poderia haver também outra de samba, com seus mestres e alunos?"
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Os primeiros desfiles
 | | | Nas Escolas de Samba atuais, um dos elementos mais importantes e tradicionais é a Ala das Baianas. Na foto, as Baianas da Vila Isabel, durante o desfile de 1973, na avenida Presidente Vargas |
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Depois da Deixa Falar, sambistas de outros morros criaram as próprias escolas para desfilar na Praça Onze. Entre elas, a Estação Primeira de Mangueira, a Azul e Branco (hoje Salgueiro) e a Vai Como Pode (atual Portela). Não demorou para que começassem as disputas entre os vários grupos; em 1932, o jornal O Mundo Esportivo organizou o primeiro concurso para escolher a melhor escola. A campeã foi a Mangueira, com o samba-enredo A pátria querida. Com o passar dos anos, a festa se profissionalizou, tornou-se fonte de lucro. Mas, apesar da crítica dos mais conservadores, continua sendo a festa mais importante e genuína do país.
Enquanto isso, em outras paradas...
À medida que as Escolas de Samba surgiam no Rio de Janeiro, o Carnaval ganhava feições distintas em outros cantos do Brasil. Na Bahia, a folia ficou marcada pelo som dos trios elétricos, como o de Dodô e Osmar, e pelos afoxés (grupos de percussão de forte influência africana), como os Filhos de Gandhi. Nas cidades pernambucanas de Olinda e Recife, Carnaval é sinônimo de frevo. Já em São Paulo, o samba uniu o ritmo dos negros ao sotaque dos imigrantes. Cordões e blocos deram origem às primeiras Escolas, como a Lavapés, a Unidos da Vila Maria, a Unidos do Peruche e a Camisa Verde e Branco; em 1968, os desfiles foram oficializados pelo prefeito Faria Lima.
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