Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, Morro do Livramento, em abril de 1839. Era filho de Francisco José, um mulato pintor de paredes e dourador de móveis, e de uma lavadeira nascida na Ilha de São Miguel (Açores), Maria Leopoldina. Ainda bem menino, ficou orfão de mãe e perdeu sua única irmã; o pai casou-se novamente e a franzina criatura ganhou de presente uma segunda mãe que a ele foi devotada, Maria Inês. Epilético e gago, aos 16 anos publica na revista A Marmota um pequeno poema intitulado “Ela”; aos 20, tendo passado pelas funções de aprendiz de tipógrafo e revisor, tem a chance de estrear como cronista. Autodidata, não há notícias de que o maior escritor realista brasileiro tenha freqüentado regularmente a escola; mas sabe-se que, de qualquer modo, foi homem de cultura exemplar. Aos trinta anos, casa-se com Carolina Xavier de Novais, cinco anos mais velha do que ele e sua companheira por 35 anos. Machado morreu de úlcera estomacal cancerosa, cercado de amigos, no Rio de Janeiro, em 1908. Na hora da morte, os que se encontravam ao seu lado puderam ouvir estas palavras: “A vida é boa...”. Com certeza o fora para quem soube desenhar criaturas e seus hábitos, paisagens, raivas, vícios, maneiras de ser, jogos de interesses, paixões, medos e umas poucas alegrias. Machado de Assis apareceu timidamente, ainda como escritor romântico (1872 a 1878); são dessa fase a romance Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Escreveu, ainda, como romântico, os livros Contos Fluminenses (1870) e Histórias da Meia-Noite (1873).
| Você sabia? Antes de se tornar o escritor realista, Machado de Assis trabalhou longamente no Jornal das Famílias (1863 a 1878), cuja publicação era mensal e possuía seções de costura, artesanato, contos, crônicas e romances em folhetins.
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A chamada “fase realista” do escritor ocorre a partir da publicação, em 1881, de Memórias póstumas de Brás Cubas. Dessa fase, são os seguintes romances: Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).Nos contos, a fase realista faz o escritor publicar quatro livros: Papéis Avulsos (1882); Várias histórias (1896); Páginas Recolhidas (1899) e Relíquias da Casa Velha (1906). São características do escritor o pessimismo, o humor amargo e a ironia, a digressão (rememoração), o rompimento com a linearidade da narrativa e a análise psicológica das personagens.
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