Vidas secas ( 1938), o mais conhecido romance de Graciliano Ramos, é sua única narrativa escrita em terceira pessoa.
Nascido de lembranças, fragmentos do que vivera no engenho dos avós, experiências do menino entre criaturas pobres e ignorantes, observação dos fatos da infância, sua história traz à tona o vaqueiro Fabiano — analfabeto e explorado pelo patrão — e sua família: Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo, além da cachorra Baleia. Graciliano contou certa vez a João Condé, que tinha uma coluna na revista O Cruzeiro, sobre tais personagens: "... no começo de 1937, utilizei num conto a lembrança de um cachorro sacrificado na Maniçoba, interior de Pernambuco, há muitos anos. Transformei o velho Pedro Ferro, meu avô, no vaqueiro Fabiano; minha avó tomou a figura de Sinhá Vitória, meus tios pequenos, machos e fêmeas, reduziram-se a dois meninos..." Assim nasceu Vidas secas, de lembranças muitas e verdadeiras.
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