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Fungos

Fique ligado!
Os fungos classificam-se em um reino à parte – o reino Fungi. Embora ele seja estudado pelos botânicos, o grupo dos fungos não pode ser considerado vegetal por uma razão muito importante: fungos não são seres fotossintetizantes e não são capazes de produzir o próprio alimento, como fazem todos os vegetais. Eles são decompositores e, portanto, alimentam-se de outros seres vivos. Mas apesar de se alimentarem de outros seres vivos, também não têm características que permitam considerá-los como animais. Eles têm características tão particulares que foram colocados em um grupo à parte, não sendo considerados nem animais, nem vegetais.
Os fungos, que incluem bolores, fermentos e cogumelos, são organismos uni ou pluricelulares, eucarióticos (células com núcleo verdadeiro) e heterotróficos (obtêm o alimento de outros seres vivos, sendo, neste caso, decompositores). Eles são constituídos por filamentos microscópicos chamados hifas, que em conjunto recebem o nome de micélio. As paredes das hifas são compostas do polissacarídeo quitina (a mesma do esqueleto dos artrópodes).


Os fungos são todos heterotróficos: a maioria se alimenta de cadáveres outros seres vivos e desempenham importante papel na reciclagem da matéria orgânica como decompositores. Alguns fungos são parasitas de plantas e animais vivos e outras espécies podem viver em associações com outros organismos, sem parasitá-los, mas trocando benefícios.


Filos

O reino Fungi compreende quatro filos:

• Ficomicetos (Phycomycetes) – fungos mais simples, unicelulares ou filamentosos, sem corpo de frutificação (estrutra de reprodução). O exemplo mais conhecido é o do Rhizopus, o bolor negro do pão.

• Ascomicetos (Ascomycetes) - fungos unicelulares ou filamentosos com reprodução sexuada por meio de ascósporos, esporos que ficam dentro de estruturas reprodutivas em forma de sacos. O exemplo mais conhecido, no entanto, é unicelular: o levedo de cerveja Saccharomyces cerevisae.

• Basiodiomicetos (Basidiomycetes) - fungos filamentosos que se reproduzem por basidiósporos, esporos contidos dentro de um corpo de frutificação chamado de basidiocarpo ou cogumelo.

• Deuteromicetos (Deuteromycetes) - fungos filamentosos, com hifas septadas e que não apresentam nenhuma estrutura especial relacionada ao processo de reprodução. Diversos fungos deste grupo são parasitas e causam doenças em plantas e animais. Um exemplo conhecido, causador de micose na espécie humana, é o da Candida albicans, que causa a candidíase. Na boca, esta micose é popularmente chamada de "sapinho". Ela também é frequente entre os dedos dos pés e na mucosa genital.


Reprodução

A reprodução dos fungos pode ser assexuada ou sexuada. No primeiro caso ela pode ocorrer por fragmentação (pedaços de micélio que se separam, originando novos micélios), por brotamento (células formam brotos que se separam e produzem novos indivíduos) ou esporulação (liberação de esporos resistentes que ao germinar produzem novas hifas). A reprodução sexuada ocorre nos basidiomicetos através de fusão de hifas de “sexos diferentes” que se compactam e formam o corpo de frutificação ou cogumelo. Em algumas hifas ocorre fusão de núcleos e formação de zigoto que sofre meiose e origina esporos. Ao caírem no solo eles germinam, produzindo novas hifas.
 
Importância para o Homem

Os fungos têm grande importância para o homem. Muitos são usados na alimentação, como o champignon. Um tipo especial de fungo (Saccharomyces cerevisae) é utilizado na fabricação de pão e de bebidas alcoólicas. Na fabricação do vinho, por exemplo, a levedura é misturada ao caldo da uva e se alimenta do açúcar presente nele, transformando-o em álcool etílico e gás carbônico (fermentação alcoólica). Como o processo de fermentação realizado por este fungo é feito a partir de açúcar (glicose), produzindo álcool e gás carbônico, basta fornecer a ele diferentes fontes de açúcar, para que sejam produzidas diferentes bebidas alcoólicas. A fermentação do açúcar da cana produz a aguardente de cana (cachaça); a da cevada, a cerveja; a do malte, o uísque; a do arroz, o saquê, só para citar alguns exemplos.

Alguns fungos são utilizados na fabricação de queijos (Penicillium roqueforti e Penicillium camemberti), porque dão características especiais a eles, como o mofo branco, utilizado para dar o sabor característico dos queijos camembert e brie, e o mofo azul, utilizado para os queijos gorgonzola e roquefort. Existem ainda fungos utilizados na produção de substâncias de uso farmacêutico, como antibióticos (produção de penicilina pelo fungo Penicilium).

Existem, por outro lado, muitos fungos que produzem substâncias tóxicas e que causam problemas ao homem. Um exemplo é o Aspergillus flavus que cresce no amendoim e nos grãos de centeio e produz uma substância tóxica chamada aflatoxina, com efeito cancerígeno, que causa lesões no fígado e pode provocar a morte. Outros exemplos que podem ser citados são Amanita phalloides (considerado o mais tóxico de todos, capaz de causar acidentes mortais) e Amanita muscaria. Esporos de fungos presentes no ar podem causar alergias respiratórias (rinites, bronquite, asma). A criptococose é uma micose devida ao fungo Cryptococcus neoformans. A infecção se dá por via respiratória, com instalação nos pulmões. Esse fungo é encontrado nas fezes e ninhos de pombos. A aspergilose é causada por fungos do gênero Aspergillus. O fungo cresce no tecido pulmonar produzindo pneumonite crônica.

Fique ligado!
Micorrizas são associações mutualísticas entre fungos e raízes de determinadas plantas, geralmente leguminosas como soja ou feijão. Nesta associação mutualística, tanto o fungo quanto a planta são beneficiados. A planta aumenta sua capacidade de absorver nutrientes do solo através das raízes envolvidas pelas hifas do fungo e este, por sua vez, obtém alimento, como açúcares e aminoácidos, das raízes da planta.



 
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