Naufrágio. Em 1858, foi nomeado diretor da Tipografia Nacional, ocasião em que teve oportunidade de auxiliar o então tipógrafo Joaquim Maria Machado de Assis, mais pobre e desvalido do que ele. Manuel Antônio de Almeida morreu em 1861, aos 30 anos, num naufrágio na Baía de Guanabara, quando fazia campanha para deputado.
As obrasO livro de Manuel Antônio de Almeida é romântico. Todavia, sua sensibilidade não se derrama tanto quanto a dos ultrarromânticos, que constituíam a grande novidade poética na época de Memórias... O livro distancia-se da média da sensibilidade romântica por algumas razões:
• A história não envolve personagens da classe dominante, mas pessoas de baixa renda.
• O protagonista não é herói nem vilão. Trata-se de um anti-herói malandro, de natureza picaresca, muito próximo do pícaro espanhol.
• As cenas não são idealizadas, mas realistas, apresentando aspectos pouco poéticos da existência.
• Ausência de moralismo e recusa da ideia de que as ações humanas se dividem necessariamente entre boas e más.
• Troca do sentimentalismo pelo humorismo, do estilo elevado e poético pelo estilo tosco e direto, sem torneios embelezadores.
• O estilo é oral e descontraído, diretamente derivado da conversa ou do estilo jornalístico da época.
Essa postura de independência em relação à moda do sentimentalismo deve ter contribuído para que o livro de Manuel Antônio de Almeida caísse no esquecimento dos leitores e da crítica de seu tempo. A segunda edição da obra só saiu um ano depois de sua morte, em 1862. Em vida, nenhum estudioso lhe deu atenção. Parece mesmo que não houve nem resenhas jornalísticas sobre seu livro. O grande prestígio dele começaria bem mais tarde, a partir do Realismo.
Para ler o resumo do livro Memórias de um sargento de Milícias, clique aqui.
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