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Vida e obra

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Entre a realidade e a magia - João Guimarães Rosa foi um autor de tendência regionalista, com uma visão universalizante. Em sua obra, o sertão torna-se o espaço que permite perceber a junção de duas esferas, a real e a mágica.
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Formado em Medicina, exerceu a profissão em cidades do interior do Estado por algum tempo, até ingressar na carreira diplomática, em 1934, quando partiu para a Europa. De volta ao Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, mas sempre retornava ao Estado natal. Aí, manteve contato com boiadeiros, fazendo cavalgadas, procurando integrar-se à paisagem que estará sempre presente em sua obra. Sempre com um caderninho, fazia anotações de suas conversas com boiadeiros, com observações sobre a paisagem, a linguagem etc.

Talento literário. Os contos escritos na época da faculdade foram publicados com o título Sagarana, em 1946, com grande sucesso de crítica e de público. O reconhecimento de seu talento literário foi confirmado com a publicação de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, em 1956. No Rio de Janeiro, em 1967, aos 59 anos, João Guimarães Rosa morreu de enfarte, três dias depois de eleito para a Academia Brasileira de Letras, cuja solenidade de nomeação ele adiara desde 1963.


No sertão mineiro

A linguagem, no ambiente criado pelo romancista, ganha um lugar de destaque. A língua portuguesa surge recriada pela inventividade e pela ampla cultura de Guimarães Rosa, que fundia neologismos, arcaísmos e regionalismos numa sintaxe fora do convencional, sempre com muita sensibilidade. A palavra, em seu texto, fica carregada de significações, reforçadas não só no campo semântico – na variedade de interpretações que permite –, mas também no campo formal, com destaque para o plano sonoro.

Prosa e poesia. Mais do que nunca, a literatura brasileira conhece, por suas mãos, a fusão entre prosa e poesia. Suas narrativas trazem um elaborado trabalho com recursos poéticos como ritmo, aliterações, onomatopeias, rimas, metáforas, metonímias, mescla da sintaxe culta e coloquial e outros recursos inusitados para o campo da prosa.

A obra

Após o livro de estreia, Sagarana, Guimarães só publicou outra obra dez anos depois. Em 1956, lançou seu único romance, a obra-prima Grande Sertão: Veredas, e, ainda no mesmo ano, a monumental coletânea de novelas Corpo de Baile,desmembrada, a partir de 1964, em três livros:

• Manuelzão e Miguilim, em que se encontra a novela "Campo Geral".

• No Urubuquaquá no Pinhém, que inclui "O Recado do Morro".

• Noites do Sertão.

Primeiras Histórias (1962) veio a seguir. O volume de contos Tutaméia: Terceiras Estórias (1967) foi seu último livro publicado em vida, seguido pelo lançamento póstumo de Estas Estórias (1969) e Ave, Palavra (1970), com contos e relatos autobiográficos.

Para ler o resumo do livro Primeiras Estórias, clique aqui.

Para ler o resumo de Manuelzão e Minguilim, clique aqui.


 
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