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Saiba mais! Realidade nordestina - A poesia de Manuel Bandeira nasce parnasiana e simbolista e, aos poucos, distingue-se como "o melhor verso livre em português". Em sua obra, o aspecto biográfico, marcado pela tragédia e pela tuberculose, é poderoso, constando até em obras nitidamente modernas, como Libertinagem.
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Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife, Pernambuco, em 1886. Estudou na Escola Politécnica de São Paulo, que na época formava arquitetos. Acometido de tuberculose, desistiu do curso e percorreu várias cidades em busca de cura, entre elas: Itaipava, Campanha, Teresópolis, Maranguape, Uruquê e Quixeramobim.Em tratamento na Europa, entrou em contato com a poesia francesa simbolista e pós-simbolista, cuja influência está presente em seu livro de estreia A Cinza das Horas e também em Carnaval. Mas sua obra já apresentava, nessa época, a influência modernista, como o verso livre.
Vaias. De volta ao Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, estreitando amizade com os escritores Ribeiro Couto, Tristão de Ataíde, Graça Aranha e Ronald de Carvalho que, durante a Semana de Arte Moderna, leu o poema de Manuel Bandeira Os Sapos sob as vaias do público, tornando-se um dos pontos altos do evento. O poeta participou da Semana a distância, pois não concordava com os ataques violentos aos parnasianos e simbolistas. O contato com os poetas paulistanos fez com que intensificasse o experimentalismo de vanguarda. Em 1930, publicou seu livro mais ousado, Libertinagem, escrito na "fase heróica" do Modernismo. Revolução. Na década de 1940, quando os avanços da Medicina passam a garantir uma vida melhor aos tuberculosos, Manuel Bandeira passou a lecionar Literatura no Colégio D. Pedro II e depois na Universidade do Brasil. No final da década de 1950, Bandeira receberia com entusiasmo a revolução concretista feita na poesia brasileira e criaria alguns poemas concretos. Durante toda a vida construiu uma obra pautada pela inovação e pela curiosidade, mas sempre retornando ao tema da morte, com um humor paradoxalmente melancólico. Seu espírito aberto não o abandonaria até a morte em 1968. Sua obra poética completa foi reunida em Estrela da Vida Inteira.
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