Você Sabia? Lira dos Vinte Anos - A obra de Álvares de Azevedo marca, junto com a de seu contemporâneo Casimiro de Abreu, uma nova fase no Romantismo brasileiro: aquela que cantou o amor irônico e sarcástico.
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Um dos principais poetas da segunda fase do Romantismo brasileiro, Álvares de Azevedo é considerado o mais autêntico representante do "Mal do Século", característica dos escritores que falavam da melancolia, do pessimismo e do tédio em suas obras, sentimentos que a Medicina da época explicava ser fruto de uma bile negra produzida no baço. Os poemas de Lira dos Vinte Anos são organizados em partes:
• Na primeira, o autor fala da morte, uma perspectiva sempre presente, e do amor platônico, intangível.
• Na segunda, o mesmo tema é abordado de forma diversa, agora sarcástica e ironicamente.
• Com o tempo, a obra foi ampliada e ganhou uma terceira parte. Para compreender cada uma delas é preciso, antes, conhecer as influências que o poeta teve de autores contemporâneos seus, como o francês Alfred de Musset e o inglês Lord Byron.
Influência
Lord Byron chocou a sociedade aristocrática londrina com seus sucessivos e ruidosos casos amorosos. Viajou por toda a Europa em busca de emoções, envolveu-se com homens e mulheres e morreu, aos 36 anos, de tuberculose. Em meio a essa maneira de viver – que na época se tornou o modelo do homem romântico que buscava a liberdade –, Byron escreveu uma obra grandiloquente e passional.
Alfred de Musset foi quem mais influenciou os primeiros poemas de Álvares de Azevedo, que posteriormente incorporou a ironia cortante de Byron à sua obra.
Emoção. Para Musset, Byron foi o melhor exemplo de homem e poeta que quebra todas as regras sociais e vive guiado apenas pela emoção. A versão do "byronismo" de Musset é, no entanto, mais adocicada e sentimental, faltando-lhe muito da ironia sarcástica de Byron. A divisão de Lira dos Vinte Anos em partes corresponde a essa evolução de influências.
Paixões Platonicas
Na primeira parte do livro, Álvares de Azevedo aborda, de forma abstrata e séria, os temas da morte e do amor platônico por uma virgem pálida envolta em brumas. Os poemas seguem a linha adocicada e intangível da obra de Alphonse de Lamartine – um dos maiores poetas do Romantismo francês – ou de Alfred de Musset. Lamartine influenciou a obra de Álvares de Azevedo, que o considerava "monótono e belo como a noite, como a lua no mar e o som das ondas". O autor de Lira dos Vinte Anos abre sua obra com frases do poeta português pré-romântico Bocage e de Lamartine para chegar às poesias que "falam de seres imaginários e ideias abstratas vagando na noite enevoada".
Amor e cotidiano
Na segunda parte, o autor aborda o romantismo irônico e sarcástico. Sem abandonar os temas do amor e da morte, representados sempre sob o manto da noite sombria, passa agora a "falar com coisas". Lembrando as palavras do escritor João Cabral de Melo Neto, o autor de
Lira dos Vinte Anos começa, aqui, a "poetizar os objetos que o rodeiam". Escreve sobre os charutos, sobre uma queda de cavalo, sobre o dinheiro – ou a falta dele –, enfim, sobre temas corriqueiros que não cabiam na poesia onírica e sentimental da primeira parte.
Já a terceira parte de
Lira dos Vinte Anos é uma continuação da poesia sonhadora e sentimental da primeira.
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