Você Sabia? Brás, Bexiga e Barra Funda - Alcântara Machado não privilegia a norma culta. Seu discurso – em tom coloquial, natural, conciso – expressa a grande contribuição do Modernismo, em oposição à linguagem "bacharelesca", que era valorizada na Literatura brasileira.
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Brás, Bexiga e Barra Funda – Notícias de São Paulo é composto por 11 histórias, entre contos e crônicas. Lançadas pela primeira vez em livro em 1927 – três dessas historietas ("Gaetaninho", "Carmela" e "Lisetta") já haviam sido publicadas no Jornal do Commércio, da capital paulista. Alcântara Machado recolhia o tema de suas histórias de notícias publicadas no jornal – um atropelamento, um crime passional, uma briga –, de peças de publicidade etc. Cenário paulistano
Todas as histórias de Brás, Bexiga e Barra Funda passam-se na cidade de São Paulo, nos bairros do título da obra, com citações sobre pontos então considerados "nobres" (Avenidas Angélica, Higienópolis, Paulista) ou centrais (Rua Barão de Itapetininga, Largo Santa Cecília).
Carcamanos. Na época, primeiros anos do século XX, São Paulo era invadida pelos "novos mamalucos", "italianinhos" ou "carcamanos" – os imigrantes italianos em busca de integração e ascensão social. Na década de 1910, eles eram o grupo de estrangeiros que mais possuía imóveis na zona urbana, concentrados nos bairros pobres e industriais, como Brás, Bexiga e Barra Funda.
As influências
O autor é influenciado por Oswald de Andrade e Juó Bananere (pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado), pioneiros da crônica de imigração na imprensa paulistana, que escreviam em um português macarrônico, misturando a linguagem do caipira e da população mestiça e negra com o calabrês, o napolitano e o vêneto (na verdade, um novo dialeto, inexistente na Itália).
Tempo e espaço. Alcântara Machado usa uma linguagem sintética, recursos gráficos, citações de peças publicitárias, inventos e meios de transporte, os quais ajudam o leitor a localizar suas histórias no tempo e no espaço.
Personagens
Alcântara Machado não se preocupa em dar profundidade psicológica às personagens de Brás, Bexiga e Barra Funda. Seus tipos são genéricos, quase caricaturas construídas a partir de algumas características externas (as sardas de Gaetaninho; o olhar triste de Gennarinho, observado pela professora). Progresso. O destino das personagens também é esquemático: moças bonitas iludem-se com sonhos de fortuna ou sucesso (Carmela e Miquelina estão fadadas a escolher parceiros "da colônia"), crianças morrem (Gaetaninho, a filha de Dona Nunzia), têm desilusões (Lisetta) ou são forçadas a abrir mão da própria identidade para obter uma estreita perspectiva de progresso (caso do órfão Gennarinho – cujo nome mescla o italiano Gennaro com o sufixo diminutivo do português "inho" -, que deve se tornar Januário para fazer jus à condição de herdeiro brasileiro).
Sonhos. Mesmo os novos-ricos devem passar por muito trabalho e arcar com certas perdas. Melli foi batateiro antes de se tornar a personificação do capital e sofrerá por sua inadequação social; Dona Bianca sonha morar em um palacete na Avenida Paulista, enquanto comanda a cozinha e tem um filho com a perna cheia de feridas.
Para saber mais sobre a vida e a obra de Antônio de Alcântara Machado, clique aqui.
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