Você Sabia? Recurso literário - A primeira parte do livro é caracterizada pelo processo de metalinguagem – o narrador Rodrigo conversa o tempo todo com o leitor, desvendando o processo de criação literária e tecendo reflexões sobre a posição que o escritor ocupa na sociedade e sobre seu papel e importância.
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O narrador apresenta-se como Rodrigo S. M. e pretende contar, sem requintes e brilho de estrelas, a história de Macabéa, uma retirante nordestina que vive no Rio de Janeiro. Macabéa é uma entre tantas. Tendo perdido os pais muito pequena, é criada por uma tia. Quando esta falece, Macabéa se vê só no mundo, sem nenhum outro parente. Trabalha como datilógrafa e mora com outras jovens em condição similar de pobreza. Escuta a Rádio Relógio "não só para saber as horas, mas para aprender coisas curiosas, que ela achava sempre lindas". No auge de sua solidão, arruma um namorado – Olímpico de Jesus, nordestino, operário que sonha ser açougueiro e depois deputado. Mas a felicidade de Macabéa é curta: Olímpico a trai com Glória, uma de suas colegas de quarto. Aconselhada por Glória, Macabéa procura uma cartomante, Madame Carlota, que descreve o passado da infeliz personagem com exatidão impressionante e antevê coisas maravilhosas para seu futuro. Ao sair da cartomante, Macabéa é atropelada e morta, justamente "a hora da estrela de cinema de Macabéa morrer". Cenário
A história de Macabéa se passa no Rio de Janeiro – "uma cidade toda contra ela" – entre o fim dos anos 50 e o início dos 60. Os ambientes são a pensão, onde Macabéa divide o quarto com outras três moças, e as Lojas Americanas, onde trabalha como datilógrafa. Mas em meio à cidade enorme e às ruas repletas de gente, Macabéa está sempre só. As personagens
Macabéa é solitária, pobre, feia e de constituição frágil. Sua timidez deixa transparecer uma passividade em face de um destino que parece certo e fatal. A solidão da personagem é um instrumento. Esta condição é vista como um novo "mal do século", uma tendência inexorável para uma sociedade em que as pessoas estão cada vez mais distantes em suas relações e absortas na fugacidade do cotidiano. Também merece destaque Rodrigo S. M., o narrador que se envolve na narrativa, tornando-se ele mesmo uma personagem. Faz-se pobre como a personagem, adquire olheiras, não se permite mais prazeres pequenos como o futebol, porque se identifica com a nordestina; "escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens".
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