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Viticultura e enologia
Do campo à cidade
A formação



Do campo à cidade

A expansão do interesse pelo vinho e a falta de profissionais com formação adequada no país proporcionam um mercado de trabalho amplo e em crescimento.
As oportunidades, que surgiram com a renovação da cultura do vinho na Serra Gaúcha, expandiram-se com novas áreas vinícolas no Rio Grande do Sul e no nordestino Vale do São Francisco. Outros estados, como Minas Gerais e Goiás, realizam experiências para a produção de vinhos finos, indicando o surgimento de mais empregos nos próximos anos.
Segundo o enólogo Luciano Manfroi, diretor de ensino do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Petrolina, em Pernambuco, toda a cadeia produtiva da uva e do vinho abre vagas para viticultores e enólogos.
Nas plantações, o viticultor atua na análise de solo, clima e matérias-primas, indica as espécies mais adequadas, orienta e acompanha o manejo e o desenvolvimento das plantas e tudo o mais que se refira ao cultivo da uva.
Além do vinho, os brasileiros comem cada vez mais uvas, e a produção nacional da fruta in natura, que há pouco tempo não dava conta do consumo interno, hoje engorda nossa balança comercial, abrindo um campo fértil para o trabalho dos viticultores.
Na indústria, o enólogo cuida de todos os detalhes da elaboração do vinho e de outros derivados, como vermutes, espumantes e sucos. Da avaliação e escolha das uvas e leveduras até a rotulagem da bebida, passando pela sua fermentação, maturação, escolha dos equipamentos e processos, tudo passa pelo seu crivo.
As condições de estocagem e transporte de um produto tão sensível também devem ser feitas de acordo com suas orientações.
Estes profissionais também identificam formas de aumentar o valor dos produtos, tanto por melhoramentos técnicos como através de marketing.
Redes de supermercados, adegas, importadoras, restaurantes e distribuidoras contratam enólogos para identificar que vinhos estão mais afinados com o consumidor, orientando as compras das empresas.
Nesses e outros locais, enólogos também são contratados para ministrar cursos e degustações, aproveitando o crescente interesse cultural pelo vinho para atrair mais clientes.
O mesmo interesse ainda impulsiona outro mercado de trabalho, o enoturismo. Nessa área, o enólogo prepara folders e roteiros para agências turísticas e acompanha as visitas a vinícolas.
Outro campo de atuação do enólogo é trabalhar como sommelier em restaurantes, cuidando da adega e orientando os clientes na harmonização da bebida com a comida. A área é ainda limitada, mas muito bem remunerada.
Há também espaço em pesquisa e ensino, em instituições tradicionais como o Embrapa, universidades e centros de ensino.
“O problema ainda é o salário, é muito variável”, aponta Manfroi. Segundo ele, enquanto grandes vinícolas oferecem bons salários, que dependendo da região podem ultrapassar os R$ 5 mil mensais, pequenas propriedades e cooperativas freqüentemente só podem pagar por consultorias avulsas, e o trabalhador precisa correr bastante para fechar as contas do mês.
No início, o tecnólogo pode esperar um salário inicial de cerca de R$ 1.000, embora a falta de regularização da profissão de enólogo contribua para a inexistência de uma média salarial confiável no setor.

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