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Paisagem
lunar
Nossa espaçonave chegou a Mercúrio sem
grandes problemas: a atmosfera que algum dia esteve ao redor
do planeta se evaporou quase no mesmo instante em que o planeta
se formou, pela proximidade do Sol. Resta, atualmente, apenas
uma frágil capa de hélio, sódio e oxigênio. A radiação solar
é intensa
e a gravidade, 1/3 menor do que na Terra.
A paisagem é semelhante à da Lua: inúmeras crateras causadas
por impacto de meteoritos, escarpas com vários quilômetros
de altura e centenas de quilômetros de comprimento. Olhamos
para o céu totalmente negro, mesmo durante o dia
e vemos o Sol quase três vezes maior do que o de costume.
Entre as estrelas, dois pontos muito brilhantes se destacam
pela intensidade: Vênus e a Terra.
Mapeamento a
distância
As mais importantes informações sobre
Mercúrio foram obtidas pela sonda Mariner 10, que, em 1974,
passou a uma distância de 705 km da superfície mercuriana.
Além de várias imagens, a sonda mostrou que havia um campo
magnético ao redor do pequeno planeta.
Até então, os cientistas acreditavam que,
pela proximidade do Sol, o núcleo de Mercúrio já estivesse
solidificado. Esse campo, no entanto, leva a crer que ainda
exista muito metal fundido no interior do planeta. O fato
mais curioso, no entanto, foi descoberto em 1991: apesar do
calor extremo, Mercúrio
pode ter pequenas capas de gelo nos pólos. Provavelmente,
essas capas se formaram quando cometas de gelo caíram nas
profundas crateras localizadas na região. Como o fundo das
crateras permanece constantemente na sombra, o Sol não conseguiria
derretê-las.
Rápido como uma
flecha
A olho nu, Mercúrio pode ser visto no
céu em momentos distintos durante o ano: algumas vezes duas
horas antes do amanhecer; outras, duas horas após o pôr-do-sol.
Por esse motivo, os astrônomos da Antiguidade acreditavam
tratar-se de dois objetos diferentes. Entre os gregos, esses
objetos eram conhecidos como Apolo, a estrela da manhã, e
Hermes, a estrela da tarde. Os sacerdotes egípcios foram os
primeiros a perceber que o planeta girava em torno do Sol.
E a velocidade de sua órbita também chamou a atenção: quando
ficou provado que os dois objetos vistos eram apenas um, os
romanos batizaram-no definitivamente de Mercúrio, em homenagem
ao mensageiro dos deuses que tem asas nos pés, porque parecia
se mover mais depressa do que qualquer outro planeta.
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