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Noção de progressão aritmética
Inicialmente, e usando termos simples, digamos que uma progressão aritmética, ou simplesmente P.A., é uma sucessão de números reais.
Cada um deles, com exceção do primeiro, é obtido somando-se um valor constante chamado razão, representado por r, ao anterior.
Tomando a corrida de táxi como exemplo, percebemos que o cálculo do preço de uma corrida, seja qual for o trajeto efetuado, corresponde a uma simples progressão aritmética.
Assim, se a bandeirada custa 5 reais e o taxímetro marca o preço de 1 em 1 real, teremos uma progressão aritmética com os seguintes números reais:
| 5,00; 6,00; 7,00; 8,00; 9,00; ... |
com uma razão r = 1 real
Chegou o momento de utilizar a notação matemática.
Na expressão matemática, cada número que integra a progressão aritmética recebe o nome de termo da progressão e é representado por letras com índices, tais como:
| a1, a2, a3, a4, a5, ..., an |
Assim, na expressão citada, os índices nos indicam o número de ordem de cada termo dentro da progressão, mas não o seu valor.
Usaremos também a letra n para indicar o número de termos existentes na progressão aritmética.
Considerando essas mudanças feitas na notação, diremos que:
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Uma progressão aritmética é uma seqüência de números a1, a2, a3, ..., tal que para qualquer valor inteiro de n maior que zero, verifica-se: |
ou então:
Cálculo do termo geral
Numa progressão qualquer, se conhecemos o primeiro termo e a razão (r), podemos achar todos os termos restantes.
O método é simples: partindo de a1, achamos a2, bastando que para isto acrescentemos r, e a partir deste, a3, depois a4, e assim sucessivamente, até chegarmos ao termo desejado.
O problema surge quando o termo desejado tem um número de ordem muito elevado e o método torna-se demorado demais.
Por isso, trata-se de formular uma expressão que, dados o valor do primeiro termo, a razão e o número total de termos que integram a progressão, nos facilite a rápida obtenção de qualquer termo dessa progressão.
Este termo da progressão é conhecido como termo geral ou enésimo termo.
Pela definição dada de progressão aritmética, podemos escrever, da seguinte maneira, os termos de qualquer progressão em função do primeiro termo e da razão:
| a1 |
a1 + r |
a1 + 2r |
a1 + 3r |
a1 + 4r |
... |
a1 + (n – 1)r |
... |
| a1 |
a2 |
a3 |
a4 |
a5 |
... |
an |
... |
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Deste desenvolvimento deduzimos que o termo geral, representado por an, que nos permitirá calcular qualquer termo de uma progressão sem necessidade de achar todos os termos intermediários, é:
Sendo:
a razão
o valor do primeiro termo
o número total de termos da progressão e
o valor do termo que ocupa o enésimo lugar dentro da progressão.
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Interpolação de termos aritméticos
Em progressões, interpolar termos equivale a intercalar diversos termos entre dois extremos dados, de modo que o resultado seja uma progressão.
Mostramos, em seguida, através de um exemplo, o método a ser adotado.
Partimos dos números 2 e 20. Eles representam os dois pólos ou extremos dados, e pretendemos interpolar cinco termos novos de maneira que o resultado seja uma progressão aritmética integrada por sete elementos.
Para construir uma progressão, precisamos de uma razão entre termos.
Este valor será obtido isolando-se o r na expressão do termo geral.
Assim, da expressão an = a1 + (n – 1) X r, deduzimos que:
Substituindo nesta expressão cada variável pelos dados de nosso exemplo, obtemos que o valor de r é 3 e a progressão resultante é:
Como pudemos ver, o método é simples, mas existe o inconveniente de confundir o número de termos a interpolar com o número total de elementos que integram a progressão, que representamos sempre por n. Devemos ficar atentos para não cometer essa confusão.
Soma dos n primeiros termos da progressão
Até aqui, nos limitamos a entender o que é uma progressão, calcular o valor de seus termos e criar progressões por interpolação.
Avancemos um pouco mais, procurando descobrir qual a soma dos n primeiros termos de uma progressão aritmética.
A história diz que Carl Friedrich Gauss, também conhecido como 'o Príncipe da Matemática', defrontou-se com esse problema e o resolveu quando tinha apenas 10 anos.
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| Figura 1 |
Seu professor de Matemática colocou para a classe a seguinte questão: 'Quanto é a soma dos 100 primeiros números naturais diferentes de zero?' Ao que Gauss, quase imediatamente, respondeu com acerto.
Observe como Gauss apresentou a solução deste problema na Figura 1:
Colocados os números desta maneira, estamos diante de uma progressão aritmética onde
a1= 1 e r = 1.
Como podemos observar, a soma de elementos eqüidistantes dos extremos é constante.
Assim, bastou-lhe somar um desses pares, 50 + 51 = 101 e multiplicar o resultado pelo número total de pares, 50, para concluir que a soma dos 100 primeiros números naturais é 5050.
A partir deste método simples apresentado por Gauss, vamos obter uma expressão geral que nos permita achar a soma (S) dos n primeiros termos de uma progressão aritmética.
Para tal, vamos escrever uma progressão desde o primeiro termo até o último e depois escrever a mesma progressão invertida, isto é, começando pelo último termo até o primeiro.
Todos os termos são escritos em função do primeiro e da razão r.
Observe, agora, o resultado:
Se somarmos as duas igualdades obtidas, termo a termo, observaremos que o resultado são n parênteses iguais a este: (a1 + an). Lembre-se de que n é o número total de termos da progressão.
Portanto, é igualmente correto escrever
2S = (a1 + an) X n
e, isolando o S, obtemos seu valor:
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| Figura 2 |
E se ainda restar alguma dúvida, observe a ilustração que nos permitirá demonstrá-lo graficamente (Figura 2).
Na ilustração, representamos uma progressão formada de 5 termos, ou seja, n = 5.
Cada termo foi representado, diferentemente dos exemplos anteriores, pelo desenho de um retângulo de base a1, a2, a3, a4 e a5, respectivamente, e altura 1, isto é, r = 1.
Depois, representamos a mesma progressão na ordem inversa e encaixamos as duas representações de modo a formar um único retângulo maior. As medidas do novo retângulo são: a1 + a5 de base e 5 de altura.
Em geral, a base é a soma do primeiro e do último termos a1 + an e a altura corresponde ao número de termos da progressão, n.
Percebe-se que a área do retângulo maior equivale a duas vezes a soma dos termos das duas progressões que o formam, ou seja, 2S.
Além disso, sabemos que, para calcular a área de um retângulo, devemos multiplicar o valor de sua base por sua altura. Neste caso, (a1 + an) X n.
Assim chegamos, por outro procedimento, às mesmas conclusões de Gauss:
onde
EXERCÍCIOS
| 1. |
Observar as seguintes sucessões de números e identificar as que correspondem a progressões aritméticas. Calcular também, se possível, o valor da razão de cada série de números e indicar o número de termos, quer dizer, n.
a) – 2; 0; 2; 4; 6
b) 2; 3,1; 4,2; 5,4
c) x2 + 2x – 1; 2x2 + x + 1; 3x2 + 3
d) – 1/5; – 8/15; – 13/15
e)
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| 2. |
Escrever os seis primeiros termos de uma progressão aritmética conhecido o valor de um de seus termos, a4 = 10, e sua razão: r = 6. |
| 3. |
Calcular o valor do quinto termo de uma progressão aritmética conhecendo o seguinte: o último termo é – 21, o penúltimo é 14 e o número total de termos é 12. |
| 4. |
Na instalação de uma linha de força colocam-se duas grandes torres nos pontos 237 e 562. Entre elas, deve-se instalar, em distâncias iguais, outras cinco torres. Em que pontos exatos devem ser colocadas as novas torres? |
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