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Quais são as línguas românicas?

As línguas românicas ou neolatinas são aquelas formadas a partir do latim, com o qual têm grande afinidade. As línguas românicas vivas são: francês, português, italiano, espanhol, catalão, romeno, sardo, provençal e reto-românico. São assim chamadas por serem uma continuação do latim falado na România, nome que designava o conjunto de territórios ocupados pelos romanos e onde se falava o latim. O Império Romano, que floresceu entre os séculos III a.C. e V d.C., expandiu-se por boa parte da Europa, África e Oriente Próximo. Essas ocupações tinham um caráter político-econômico, mas também ajudaram a difundir o latim, a arte e a cultura romana.

1. Latim vulgar

    Costumes, modos de vida e estilos arquitetônicos passaram por mudanças profundas durante o Império Romano.

Era o latim falado no dia-a-dia pelos soldados, comerciantes e o povo em geral. Não tinha a expressão bem cuidada do latim clássico ou literário da sociedade culta, mas também não era o dialeto descuidado dos camponeses nem a gíria dos bairros periféricos. Esse latim coloquial se expandiu entre todos os povos da România e foi falado desde o ano 100 a.C. até o ano 600 d.C. Assim, o termo 'vulgar' refere-se ao latim falado, em oposição ao latim escrito ou clássico. São escassos os documentos escritos em latim vulgar, pois qualquer pessoa ao escrever utilizava as normas gramaticais, ou seja, normas do latim clássico. O latim vulgar, como qualquer fala coloquial, era bem mais expressivo e flexível do que o clássico no uso do léxico e das normas gramaticais. Portanto, era uma língua mais livre, disposta a aceitar mudanças e assim se deixou influenciar pelas línguas locais dos territórios conquistados. Isto explica a diferenciação entre as línguas românicas, ainda que todas elas tenham como origem comum o latim.

Línguas românicas vivas: o mapa abaixo mostra as regiões onde atualmente são faladas as línguas românicas vivas.

A romanização foi a assimilação da língua e da cultura romanas pelos povos conquistados, ainda que os conquistadores – tolerantes em relação à língua e à religião – não as impusessem. Essa assimilação ocorreu por diversos motivos: os soldados romanos casavam-se com mulheres locais; mercadores e funcionários romanos mantinham estreito contato com o povo; não havia unidade lingüística nem cultural entre os povos invadidos, que aceitavam as novidades trazidas pelos invasores.

2. Diversidade das línguas românicas
A diversidade das línguas românicas explica-se principalmente:

Pelo substrato: influência das línguas dos vencidos sobre as línguas dos vencedores; cada região do Império falava diversas línguas antes da colonização romana. Elas influenciaram o aprendizado do latim e deixaram costumes lingüísticos que ao longo do tempo modificaram o latim falado.
Pelo adstrato: influência das línguas vizinhas – territórios vizinhos onde eram faladas várias línguas antes da chegada do latim tiveram uma evolução lingüística diferente, influenciando-se mutuamente.
Pelo superstrato: influência de línguas invasoras – os povos bárbaros que invadiram e dominaram o Império Romano não conseguiram impor suas línguas devido à firmeza do latim. Ainda assim, essas línguas invasoras deixaram alguns traços léxicos, morfológicos e gramaticais.
Por motivos geográficos: o centro do Império Romano impunha as inovações lingüísticas. Essas mudanças chegavam primeiro às cidades de fácil acesso e depois às regiões mais isoladas. Assim, nas regiões longínquas mantiveram-se hábitos lingüísticos mais antigos do que nas áreas centrais.

 


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